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O Vaticano e a questão cigana

Sábado, 28.08.10

[Palma de Maiorca] Também o Vaticano entendeu dever pronunciar-se sobre a questão cigana e classificar a atitude das autoridades francesas. Descontando o exagero, profundamente ofensivo para os judeus vítimas da loucura de Hitler, o pronunciamento agora feito pelo Secretário do Conselho Pontifício para as Migrações, arcebispo Agostino Marchetto, que vem equiparar a atitude do governo de Sarkozy a um novo holocausto dos ciganos, mostra-nos que nos dias que passam nem a Igreja católica está imune às tentações mediáticas, não perdendo a oportunidade para deixar o seu «sound bite» de grande efeito mediático mas reduzida utilidade prática para a resolução da situação. Enquanto não se perceber que a querela e a controvérsia colocam frente-a-frente o princípio da liberdade de circulação de pessoas mas também o dever de integração das minorias, ambos previstos nos Tratados europeus, e ambos com idêntica tutela e dignidade político-jurídica, como evidenciou Pierre Lellouche, Secretário de Estado para os Assuntos Europeus do governo de Paris, continuaremos a não perceber o essencial do problema. Este é estruturalmente europeu e é nesse quadro e nesse âmbito que deve ser resolvido.

 

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:16


1 comentário

De porta-estandarte a 02.09.2010 às 23:49

Caro Professor esse é o nosso problema com a maioria dos romenos em Portugal.
O nosso dever europeu de integrar as minorias deve estar interligado com as oportunidades disponíveis de eles próprios se integrarem como cidadãos activos, produtivos, e não como continuamente dependentes de auxílios, enquanto no seio das suas comunidades desenvolvem actividades delinquentes, ou escolhem viver das esmolas.
É um assunto estruturalmente europeu, mas muito bem resolvido noutros países fora do espaço comunitário, como é o caso do Canadá. Este é o 2º maior país do mundo, mas a integração dos que querem integrar aquela sociedade passa por rigorosas medidas de emigração, que só abre portas a quem for portador de contrato de trabalho, e quem entrar no país com contrato de trabalho, fica por aquele tempo sob a responsabilidade daquela empresa, e para aquela actividade. É perfeitamente normal, porque tomei conhecimento, que uma unidade hoteleira de renome internacional, tenha visto recusada a entrada de um Chefe de cozinha francesa recebendo a admoestação das autoridades de emigração canadianas de que deveria continuar a procurar o preenchimento da vaga por um cidadão residente.
Agora na comunidade europeia, qualquer um adentra o espaço shengen, sem qualquer exigência, nem requisito, a não ser documental, que pode muito bem ser substituído por entradas terrestres ou marítimas alternativas. Neste caso os primeiros a chegar são quase sempre os pobres e deserdados. Que tipo de sustentação económica haverá no futuro ao sobrecarregar os recursos dos países da União com este acréscimo de dependentes crónicos, que rapidamente dão origem a guetos, como os africanos insatisfeitos que se revoltam nos arredores de Paris.
Sarcozy, em proveito próprio(subiu nas sondagens) tomou uma decisão que deveria ter sustentação baseada em critérios legislativos de entrada no espaço europeu que simplesmente não existem. Em vez de a Europa enriquecer com o acréscimo de mão de obra, empobrece com o aumento de dependentes sem predisposição laboral.
Se fosse necessário apresentar cartões de crédito e capacidade financeira, ou qualificação profissional para se manterem no período que indicassem de férias ou turismo em países da comunidade, já não entrariam. No final de contas são cidadãos de outros países cujos governos deveriam providenciar melhores condições de vida, que evitassem estas deslocações demográficas massivas de pessoas que nunca estiveram integradas activamente no desenvolvimento económico dos seus países de origem.
Os portugueses são vítimas disso mesmo. Passados tantos anos o nosso povo está em Diáspora precisamente por não haver no nosso país uma justiça eficaz nem um sistema fiscal encorajador, estando a suposta capacidade de desenvolvimento encapotada e penhorada pelo negócio soberbo das universidades, que distanciadas da realidade seguem cânones formativos conservadoramente abandonados ao laissser faire de uma contabilidade justificadora.

A grande diferença é que os nossos emigrantes revelam-se como trabalhadores activos de grande valor onde quer que se estabeleçam, sendo por isso alvo de uma descriminação positiva. Isso não acontece com outras comunidades com maior dificuldade de integração.

A melhor liderança europeia poderia ir no sentido da aprovação de legislação conducente a melhores resultados com forte vacação humanitária, mas excluindo a dependência constante dos países de acolhimento e potenciando a auto suficiência.
Mas se me situação de crise não o conseguem para os seus próprios nativos, teriam de optar por quotas de imigração determinadas anualmente de acordo com as necessidades dos diferentes sectores empresariais.

Os melhores cumprimentos,

bento

A

Obrigado por me permitir comentar sobre os assuntos que espõe.

respeitosamente,

bento

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