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Ainda as consequências do último (mega) alargamento da União Europeia

Terça-feira, 19.06.07

Não deixa de ser curioso, nos dias que vão correndo, escutarmos as lamentações e as lamúrias de uns quantos europeus ilustres que se vão condoendo com as dores e os imbróglios em que a Europa da União se vai vendo enredada, com a particularidade de estes serem dias de acrescido dramatismo resultantes da proximidade de mais uma cimeira europeia do Conselho Europeu. A curiosidade resulta, como é óbvio, de constatarmos que tais ilustres personalidades são, justamente, muitas daquelas mesmas que, de braços abertos e sem hesitações públicas conhecidas ou dúvidas publicamente expostas, apoiaram e aplaudiram o projecto expansionista e de alargamento da União concretizado nos dois momentos que conheceu o último (mega) alargamento da UE, por via da qual o número dos seus Estados membros passou de 15 para 27. Ora, não seria expectável que «a 27» os problemas fossem muito maiores do que «a 15»? Não seria de esperar que os necessários consensos exigidos para matérias constitucionais europeias e as unanimidades nesses domínios requeridas fossem bem mais difíceis de alcançar «a 27» do que «a 15»? Não seria uma simples decorrência da lei das probabilidades que, «a 27», aumentassem as ameaças do exercício do direito de veto por parte dos Estados membros da União? Esperar-se-ia, acaso, da parte dos novos Estados membros uma atitude passiva, qual capitas diminutio, assente num reconhecido agradecimento pelo facto de terem sido autorizados a juntar-se à Europa da União? Se são verdadeiras - como, apesar de tudo, pensamos que são - as queixas, as lamúrias, as lamentações e as irritações só podem mesmo ter na sua origem uma má avaliação e numa errada antecipação do que poderiam ser as consequências de um alargamento preparado à pressa, realizado de forma precipitada e, objectivamente, perigoso para o funcionamento de uma União que, ao mesmo tempo e em simultâneo, não abdicou do seu desejo de aprofundar muitas das suas políticas comuns e de lançar umas quantas outras novas em domínios tão difíceis de consensualizar como a política externa, a defesa e a segurança ou, mesmo, a efectiva concretização e a plena realização de um mercado único interno dirigido a mais de 500 milhões de europeus. Satisfeitos, verdadeiramente satisfeitos com o estado a que a União Europeia chegou, temos visto muitos daqueles que sempre nos habituámos a ver felizes e contentes com os reveses sofridos pelo projecto europeu.

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publicado por Joao Pedro Dias às 11:02






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