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Europeístas ilustres: Joseph Retinger

Domingo, 09.03.08

Nascido na Polónia em 1888, proveniente de uma família polaca de ascendência austríaca, RETINGER aparece–nos, mais pela sua vida do que em função de obra escrita que nos haja legado, como um dos referenciais da história da construção da unidade europeia no nosso século e, com particular ênfase, no período subsequente ao termo do segundo conflito mundial. Geralmente pouco estudado ou referenciado, RETINGER merece, apesar de tudo, ocupar lugar de destaque entre aqueles que consagraram significativa parte da sua vida entregando–a devotadamente ao ideal da construção da unidade europeia . A sua vivência de jovem polaco sem Estado mas não sem pátria, produto de uma educação regida pelos princípios do patriotismo polaco e do rigoroso catolicismo, levaram–no primeiro à defesa extrema da restauração do Estado polaco que fôra suprimido na sequência da partilha de 1795 para, de seguida e após a segunda guerra civil da cristandade, perdida a esperança e a ilusão quanto à existência de um Estado soberano e livre, liberto das influências e da tutela de Moscovo, se empenhar denodadamente na promoção da ideia europeia — ideal que já o animara na década de vinte mas que redobraria de intensidade após 1945. Em 1924 RETINGER estará, conjuntamente com o deputado britânico MOREL, empenhado na criação de uma organização clandestina devotada ao serviço da unidade europeia. A morte do seu parceiro de ideal, em 1925, inviabilizou o projecto. Mais tarde, com auxílio ainda de alguns deputados trabalhistas britânicos, vê–lo–emos empenhado em traçar o plano de uma enciclopédia pluridisciplinar que demonstrasse as vantagens múltiplas derivadas da união do continente europeu. A recusa de BEVIN em coordenar a empresa, considerando–a demasiado teórica, encarregar–se–ia de assinar a sua certidão de óbito. Durante o período do segundo conflito mundial, RETINGER teve possibilidade de concentrar os seus esforços em dois objectivos que permaneceram no centro das suas preocupações durante longo tempo: a restauração independente da sua Polónia natal e a causa da unidade europeia. Assim, de Outubro de 1942 a Julho de 1943, representantes de oito países europeus reuniram–se regularmente no gabinete do Primeiro–Ministro polaco para preparar a unidade da Europa no pós–guerra. A Polónia, a Checoslováquia, a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Noruega, a Jugoslávia e a Grécia — participaram na iniciativa, sendo a Polónia representada justamente por RETINGER. A ordem do dia destas reuniões compreendia a preparação das condições do armistício, o desarmamento alemão e a reconstrução da Europa [SAINT-OUEN, 1997: 83]. Seria, porém, pós–1945 que o entusiasmo europeísta de RETINGER se viria a consubstanciar e a traduzir num maior envolvimento nas questões conexionadas com a unidade política do continente europeu. Em 1946 e com a preciosa colaboração de um outro europeísta convicto — Paul van ZEELAND — é criada em Bruxelas a Liga Europeia de Cooperação Económica , logo denominada Liga Independente para não deixar transparecer qualquer atitude discriminatória relativamente aos EUA. Quando muitos movimentos despontam um pouco por toda a Europa em defesa das teses unionistas, são várias as representações que a Liga abre em diversos Estados europeus: KEERSTENS representa–a na Holanda; Michel DEBRÉ, Giscard D'ESTAING e François–PONCET em França; La MALFA em Itália; MACMILLAN além–Mancha; Adolf BERLE nos EUA. A semente europeísta estava lançada e o Congresso da Europa, iniciado em 7 de Maio 1948, na Haia, representá–la–ia na sua plenitude porque foi essencialmente obra pessoal de RETINGER [ROUGEMONT, 1994a: 460-483]. E coroaria a carreira deste europeu europeísta que, para além do sucesso em que se traduziu o Congresso, soube explorar os seus resultados junto dos governos europeus por forma a que as conclusões saídas do conclave holandês se viessem a materializar com a assinatura, em Janeiro de 1949, no Palácio Saint–James, em Londres, da Convenção que instituiria o Conselho da Europa. Não tendo exercido o poder político, a contribuição de Joseph RETINGER para a causa europeia não se poderá questionar. Na originalidade do seu método residiria a essência da sua acção: cada manhã despertava pelas cinco horas, lia grossos livros de história, de política ou de filosofia religiosa. Mas o seu verdadeiro trabalho não começava antes da hora em que podia começar a telefonar e a marcar entrevistas — com políticos, Presidentes, Ministros, Deputados, Parlamentares. Era então que despontava a sua acção criadora. O seu método era a entrevista — e de preferência individual [ROUGEMONT, 1994a: 460-483].</span>

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:28






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