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Na Antena Aberta da Antena 1

Terça-feira, 07.02.12

Pela enésima vez anuncia-se este como sendo um dia absolutamente determinante para o futuro da Grécia e, por arrastamento, da própria União Europeia. No meio de uma greve geral, com a divergência entre os principais partidos a acentuar-se, o governo grego tem de decidir se aceita ou não mais uma tranche de austeridade, conditio sine qua non para o recebimento da primeira tranche do segundo pacote de resgate financeiro do país, no montante de 130MM€.

 

A Antena 1 tem a gentileza de me convidar a abrir a sua “Antena Aberta”, pedindo um comentário sobre a situação vivida em Atenas e uma antecipação sobre o que a mesma pode significar para Portugal. Fatalmente acabamos por repetir o que já tem sido dito por muitos e em muitos lados. É difícil fugir aos lugares comuns e à racionalidade, pese embora esta crise grega, não raro, nos surpreenda com laivos de autêntica irracionalidade. Certo parece ser que o dinheiro do primeiro resgate não chegou e as medidas de austeridade impostas também não lograram qualquer efeito positivo. Daí a necessidade de um segundo resgate e de mais austeridade a somar a toda a austeridade que já foi vertida sobre os gregos. Decerto – estes, pela sua idiossincrasia, também não ajudam à festa: mentem, não são fiáveis, adulteram números e estatísticas, aldrabam e não se sabem governar (nem se deixam governar). Tivesse, porém, a receita da troika tido sucesso e nada disto teria acontecido. Ou seja, se os gregos não ajudaram, as instituições internacionais não provaram. E é neste clima de ameaça permanente de queda no precipício ou arrastamento para o abismo que se vive mais um braço de ferro entre a troika internacional e um governo dito de salvação nacional, liderado por um tecnocrata e que engloba além do PASOK e da Nova Democracia a própria extrema-direita grega, que terá de enfrentar eleições legislativas ainda no presente semestre. Governo que cada vez mais parece incapaz tanto de controlar a situação social interna como de aplicar as medidas impostas internacionalmente.


Diferente é a questão de sabermos até que ponto um eventual incumprimento grego se poderá reflectirem Portugal. PassosCoelho, prudentemente, tem acautelado a possibilidade quando afirma que Portugal não irá pedir nem mais tempo nem mais dinheiro à troika, a menos que a situação internacional se altere de forma significativa – é a porta aberta para um pedido de novo resgate internacional ou de renegociação do auxílio concedido caso a Grécia enverede pelo caminho do incumprimento. E nessa perspectiva, por muito que isso desagrade ao poder instalado, o chamado efeito contágio não pode nem deve ser tido por afastado. Embora também não falte quem defenda a tese contrária – derrubada a Grécia, a Europa da União tudo fará para suster a queda e apoiar os seus dois outros protectorados: Portugal e a República da Irlanda. Vê-se, pois, que já não é do domínio da análise que curamos, mas no campo da pura adivinhação que começamos a entrar. E essa não é a nossa missão. Para complexa, já basta a realidade que nos é dado observar.


Uma nota final não pode deixar de ficar registada – não é só no domínio da análise que as opiniões divergem. Hoje mesmo o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, voltou a defender, em Bruxelas, que o lugar da Grécia é na zona euro, horas depois de a comissária holandesa e Vice-Presidente da Comissão Europeia, Neelie Kroes, ter afirmado que a exclusão do país não seria um drama…

 

O comentário produzido pode ser escutado, na íntegra, aqui.

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publicado por Joao Pedro Dias às 20:29






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