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O mito federal

Sexta-feira, 10.02.12

O desgoverno que paira sobre toda a Europa - sobretudo a da União, mas a que a outra, a que está fora dela, também não escapa - tem feito com que vozes das mais insuspeitas se pronunciem publicamente sobre as virtualidades do modelo federal e a necessidade da União Europeia rumar nesse sentido. Com o devido respeito, parece-me um erro crasso e - mais uma! - desvirtuação do projecto e do modelo europeu. O que caracterizou, desde sempre, o modelo europeu foi a sua originalidade, a sua inovação. Não copiou outros modelos já existentes e conhecidos porque nenhuma outra situação histórica concreta se lhe assemelha; não obedeceu a um modelo pré-estabelecido porque a diversidade europeia não é compaginável com nenhuma outra realidade existente e conhecida; não seguiu regras e modelos já teorizados porque sempre preferiu a inovação original. Em termos muito práticos, a realidade europeia andou sempre à frente das teorias e das doutrinas, dos modelos e da dogmática. O modelo, inominado, foi-se construindo na prática e, só depois, se foi teorizando. E foi por se ter vindo a construir na prática que o modelo europeu revela as insuficiências e debilidades que se lhe reconhecem. A teoria apenas foi ajudando a «aperfeiçoar» ou burilar o modelo. E assim, paulatinadamete, se foi erigindo um modelo com claros elementos federais, com outros tipicamente intergovernamentais, e com uma imensidão de soluções originais que não se enquadravam em nenhum dos modelos conhecidos. Deverá continuar a ser esse o caminho a trilhar. Neste tempo de crise, será somar crise à crise decalcar soluções pré-concebidas, rendermo-nos hoje ao que foi rejeitado ontem. O caminho a prosseguir ou continuará a ser um caminho próprio ou não será caminho nenhum. É esse o desafio que a Europa da União tem pela frente - ser capaz de continuar a ser original e inovadora, ter a capacidade para encarar os seus problemas e as suas dificuldades, evitar render-se a mitos que resolverão os seus problemas. A questão essencial é outra - é a de saber se teremos líderes europeus capazes de darem conta do recado. E aí as dúvidas e as reservas são mais que muitas...

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:33






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