Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Kerber: a Alemanha tem de abandonar o euro

Terça-feira, 29.05.12

«Já o ouvimos dizer que quem tinha de abandonar o euro era Portugal. Bateu-se junto do tribunal constitucional alemão contra os "bailout" do Sul – e perdeu. Agora diz que é a Alemanha que deve deixar o euro e criar uma moeda mais forte, o "florim-marco", com os vizinhos com balanças correntes positivas. Markus Kerber é professor de finanças públicas e fundador do Europolis, um movimento alemão muito crítico do percurso recente do projecto europeu, que chegou a apresentar uma providência cautelar junto Tribunal Constitucional de Karlsrühe para impedir que a Alemanha fornecesse garantias no empréstimo a Portugal. Kerber perdeu esse caso, como perdera em Setembro de 2011 quando tentou travar a participação alemã no primeiro pacote de assistência à Grécia, alegando que esse empréstimo constituía uma violação do princípio do “no bailout,” repetidamente expresso nos Tratados europeus, e que tinham sido também violadas as premissas do parlamento alemão relativas ao controlo do uso a ser dado aos impostos pagos pelos contribuintes germânicos. Durante esse período, defendeu que países, como Portugal, que perderam aceleradamente competitividade durante a união monetária tinham de sair do euro para a reconquistar. “ O que não será possível enquanto estiver entalado no espartilho do euro. (…) Portugal está a sofrer as consequências de uma falta de consolidação atempada das suas finanças e só poderá recuperar se abandonar temporariamente a união monetária. A questão não é se, mas quando. Com o curso actual do euro aliado a um programa de austeridade não há saída possível, pois a austeridade vai conduzir à recessão”, argumentava há um ano, em entrevista ao “Diário Económico”. Hoje, Markuz Kerber pensa diferente: quem deve sair do euro é a Alemanha. Que deverá aliar-se a países vizinhos mais parecidos, designadamente que vendam mais ao mundo do que lhe compram, em torno de uma nova “âncora de estabilidade”: o florim-marco (‘guldenmark’). Em sua opinião, chegou a hora de negociar um “compromisso histórico” para salvar não o euro, mas a União Europeia. “Quem quer salvar o projecto europeu tem de permitir aos países do euro com contas correntes excedentárias introduzir uma moeda paralela”. Kerber diz que é preciso trilhar caminhos novos porque “ pacotes de resgate massivos não são a solução, apenas mascaram a severidade da situação”. A acompanhar a Alemanha nessa nova moeda, com curso legal paralelo ao do euro, estariam Holanda, Finlândia, Áustria e Luxemburgo – já a França ficaria no velho euro. Rapidamente, antecipa Kerber, o florim-marco se tornaria numa moeda mais forte do que o euro, o que ajudaria a periferia a reconquistar competitividade e a pagar as suas dívidas. A OCDE assume nos seus modelos macroeconómicos que uma desvalorização de 10% do euro acrescenta 1% ao PIB nominal e 0,7% ao real. Kerber argumenta que todos - os que permanecessem no euro e os que entrassme no “guldenmark” - ficariam a ganhar. Porque uma moeda paralela, argumenta, deve ser encarada como “a conclusão lógica do falhanço do euro” e o caminho para garantir sobrevivência da União Europeia: a crise actual, considera, "está a ameaçar todo o projecto europeu”». [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 21:21






links

ORGANIZAÇÕES EUROPEIAS

COMUNICAÇÃO SOCIAL



comentários recentes

  • Jorge Greno

    Mas então o Português deixou de ser língua oficial...

  • Pedro

    Bom dia,O Casa Europa está novamente em destaque n...

  • Henrique Salles da Fonseca

    BRAVO!!!Todos os políticos no activo praticaram o ...

  • O mais peor

    Até que enfim o sapo destaca um blogue de valor qu...

  • De Puta Madre

    Eu Gostaria que o Espaço Europeu não Tivesse nos S...

  • Dylan

    Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por be...

  • Carlos Medeiros

    Gostei do post. Estou totalmente de acordo. E cons...

  • silveira

    Não é isso que diz a notícia!... De qualquer forma...

  • silveira

    Se eu fosse juíz sentiria vergonha por esta rejeiç...

  • silveira

    É claro como água!... Para voltarmos a ter justiça...