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O momento da decisão orçamental da Irlanda - by Lucinda Creighton

Sexta-feira, 01.06.12

«“A construção da Europa é uma arte”, disse uma vez o ex-Presidente francês Jacques Chirac. “É a arte do possível.” Se a construção da Europa tem sido a arte do possível, então, a sua desconstrução – ou, pior, o seu colapso – seria um negócio assustador e doloroso.


Essa foi a situação que os líderes europeus enfrentaram no Outono passado. O euro estava com graves dificuldades, fustigado pelos rumores de iminentes colapsos bancários. A rendibilidade das obrigações do Estado, no Sul da Europa, estava a subir e uma penetrante sensação de apreensão e de medo camuflava os governos nas capitais europeias. Mas a liderança política estava visivelmente ausente.


Finalmente, em Dezembro, uma medida decisiva foi tomada. Haveria um “tratado orçamental”, que reforçaria o Pacto de Estabilidade e Crescimento e, sobretudo, implicaria sanções automáticas para garantir que os membros da zona euro cumpririam essas regras. Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu lançou a sua operação de refinanciamento de longo prazo de um bilião de euros, a qual afastou o sistema bancário europeu da beira do abismo.


Estas duas medidas foram oportunas e vitais e criaram um período de calma e de espaço. Em Março, ao ter concordado com o Tratado orçamental, o Conselho Europeu concentrou a sua atenção no estímulo do crescimento económico, que será a chave para a sustentabilidade fiscal a longo prazo.


Na Irlanda, o nosso procurador-geral advertiu para a necessidade de se realizar um referendo sobre o Tratado orçamental e agora estamos no meio da campanha. Os partidos do governo, Fine Gael e o Partido do Trabalho, bem como o maior partido da oposição, Fianna Fáil, fazem campanhas, de forma incansável, por um voto sim.


As razões pelas quais apoiamos o Tratado orçamental são simples. O Tratado promoveria a estabilidade na economia irlandesa e contribuiria para a estabilização do euro, a nossa moeda. Isso aumentaria a confiança na Irlanda e permitir-nos-ia aumentar o fluxo existente de investimento directo estrangeiro. A ratificação também dar-nos-ia acesso garantido ao financiamento por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), caso precisássemos.


O MEE é a apólice de seguro da Irlanda à medida que nós elaboramos a nossa saída do programa de resgate com a troika (a Comissão Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional) e o nosso regresso aos mercados. Mais importante, o Tratado orçamental promete garantir um orçamento responsável em toda a zona euro. Para nós, isso significa que a má gestão económica que causou o desabamento da economia irlandesa, jamais se repetiria. Também significaria economias europeias estáveis para as quais podemos exportar.


Para a Irlanda poder continuar no caminho da recuperação económica, precisa de ser vista como parte da solução, não como parte do problema. Estamos a fazer progressos e temos de continuar a fazê-lo. O governo da Irlanda ultrapassou as suas metas no âmbito do programa da troika e a economia voltou a crescer no ano passado.


Os investidores internacionais estão a olhar, cada vez mais, para a Irlanda como sendo um lugar inteligente para se fazer negócios. Eles reconhecem os fundamentos dinâmicos, transparentes e competitivos da economia irlandesa. Somos altamente considerados em todo o mundo como sendo uma base excelente de exportação. As empresas mundiais reconhecem que, uma vez que somos o único membro da zona euro falante da língua inglesa, somos idealmente uma porta de entrada para a Europa.


A Irlanda está classificada como o melhor lugar na Europa para os negócios, o mais fácil para se pagar impostos e o número um na Europa para se concluir o ensino superior. Somos uma economia aberta e transparente com uma mão-de-obra altamente qualificada e com um mercado de 500 milhões de pessoas à nossa porta. Fundamentalmente, somos também membros do segundo maior espaço monetário do mundo.


As contas de investimento estrangeiro directo de mais de mil empresas estrangeiras traduzem-se em 145 mil empregos na Irlanda, 70% do total das exportações e 2,8 biliões de euros em receitas fiscais das empresas. Estas empresas gastam 16 biliões de euros por ano em bens, serviços e salários na Irlanda.Os dados mais recentes mostram que 2011 foi um ano muito forte para atrair o investimento na economia irlandesa, com um registo de 148 novos projectos – um aumento de 30% de empresas a investir na Irlanda, pela primeira vez – o que implica mais 13 mil postos de trabalho.


Os investidores vêm para aqui porque relacionam o facto de a Irlanda ser um membro da zona euro, com a nossa estabilidade económica a longo prazo e o acesso ao apoio externo, caso seja necessário. Ao votarmos a favor do Tratado orçamental, podemos garantir essa estabilidade e esse apoio – e assim assegurar a contínua confiança e investimento na economia irlandesa.


O novo Tratado reflecte o claro reconhecimento de que houve uma falha no projecto inicial do euro. Falámos sobre a União Económica e Monetária, mas não a tivemos. O Pacto de Estabilidade e Crescimento, consagrado no Tratado de Maastricht, estabeleceu regras rígidas de disciplina orçamental, que foram imediatamente violadas – e não pelos países pequenos, mas pela França e pela Alemanha.


A recuperação irlandesa não pode ocorrer sem a recuperação europeia. Devemos ficar juntos ou devemos cair juntos, porque as nossas economias estão muito interligadas. Isto envolve colocar as nossas finanças públicas em ordem, algo que o Tratado orçamental permite fazer. Começámos esse processo; a próxima etapa será um foco inabalável no crescimento e na renovação económica em toda a União Europeia.» [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:07






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