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Europeístas ilustres: Victor Hugo

Sábado, 22.03.08

Também Victor HUGO (1802–1885), o turbilhão romântico [MALTEZ, 1997: 514] profundamente empenhado na aproximação franco–germânica que não hesitava em declarar que «se não fosse francês gostaria de ser alemão», o maior lírico do ideal da união europeia — como escreveu Denis de ROUGEMONT [1990: 253] — se associou ao rol dos que, recorrendo ao poder do verbo, ousaram perspectivar o futuro do Velho Continente. Encarou os problemas que afectavam a Sérvia do seu tempo e concluiu pela necessidade da criação dos Estados Unidos da Europa — conceito que cultivava em paralelo com o de Europa–Nação. Aos desatentos relembrou que «aos governos desunidos sucedem os povos unidos» [MOREIRA, 1992]. Apelou à criação da cidadania europeia como método adequado à unificação de um continente que já tinha a seu crédito uma base cultural comum. E, em artigo titulado «O Futuro» e datado de 1867, atreveu–se a profetizar que «no século XX haverá uma grande Nação que terá Paris por capital, mas não se chamará França... chamar–se–á Europa». Na sua célebre Declaração de 21 de Agosto de 1849 , interpelando directamente alguns Estados europeus, não deixou de antever que «França, Rússia, Itália, Inglaterra, Alemanha, todas as nações do Continente, sem perderem as vossas distintas qualidades e a vossa gloriosa individualidade, fundir–vos–eis estreitamente numa unidade superior e constituireis a fraternidade europeia da mesma forma que o fizeram a Normandia, a Bretanha, a Borgonha, a Lorena, a Alsácia, todas as nossas províncias que se fundiram para dar lugar à França». E Victor HUGO concluía o seu pensamento levando–o às últimas consequências: «teremos então os Estados Unidos da Europa que coroarão o Velho Mundo da mesma forma que os EUA coroam o Mundo Novo. O espírito de conquista transformado em espírito de descoberta, a pátria sem fronteira, o comércio sem alfândegas, a juventude sem a caserna, a coragem sem o combate, a vida sem a morte, o amor sem o ódio». Como relembra alguém, enfatizando o sonho do poeta, «em Março de 1870, exilado ainda em Guernesey, e vendo a guerra estalar entre a Prússia e a França de NAPOLEÃO III, Victor HUGO escrevia ao seu diário: "há três dias, a 14 de Julho, enquanto eu plantava no meu jardim de Hauteville–House o carvalho dos Estados Unidos da Europa, no mesmo momento a guerra estalava na Europa e a infalibilidade do Papa era proclamada em Roma. Daqui a cem anos já não haverá guerra, não haverá papa e o carvalho será grande"» [MEDINA, 1994/1995: 19]. Dificilmente o poeta poderia errar mais na sua profecia — mas ela continha o essencial do seu sonho. É que Victor HUGO visionou uma Europa ideal — que a realidade tragicamente se encarregaria de renegar.</span>

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:19

Europeístas ilustres: Joseph Retinger

Domingo, 09.03.08

Nascido na Polónia em 1888, proveniente de uma família polaca de ascendência austríaca, RETINGER aparece–nos, mais pela sua vida do que em função de obra escrita que nos haja legado, como um dos referenciais da história da construção da unidade europeia no nosso século e, com particular ênfase, no período subsequente ao termo do segundo conflito mundial. Geralmente pouco estudado ou referenciado, RETINGER merece, apesar de tudo, ocupar lugar de destaque entre aqueles que consagraram significativa parte da sua vida entregando–a devotadamente ao ideal da construção da unidade europeia . A sua vivência de jovem polaco sem Estado mas não sem pátria, produto de uma educação regida pelos princípios do patriotismo polaco e do rigoroso catolicismo, levaram–no primeiro à defesa extrema da restauração do Estado polaco que fôra suprimido na sequência da partilha de 1795 para, de seguida e após a segunda guerra civil da cristandade, perdida a esperança e a ilusão quanto à existência de um Estado soberano e livre, liberto das influências e da tutela de Moscovo, se empenhar denodadamente na promoção da ideia europeia — ideal que já o animara na década de vinte mas que redobraria de intensidade após 1945. Em 1924 RETINGER estará, conjuntamente com o deputado britânico MOREL, empenhado na criação de uma organização clandestina devotada ao serviço da unidade europeia. A morte do seu parceiro de ideal, em 1925, inviabilizou o projecto. Mais tarde, com auxílio ainda de alguns deputados trabalhistas britânicos, vê–lo–emos empenhado em traçar o plano de uma enciclopédia pluridisciplinar que demonstrasse as vantagens múltiplas derivadas da união do continente europeu. A recusa de BEVIN em coordenar a empresa, considerando–a demasiado teórica, encarregar–se–ia de assinar a sua certidão de óbito. Durante o período do segundo conflito mundial, RETINGER teve possibilidade de concentrar os seus esforços em dois objectivos que permaneceram no centro das suas preocupações durante longo tempo: a restauração independente da sua Polónia natal e a causa da unidade europeia. Assim, de Outubro de 1942 a Julho de 1943, representantes de oito países europeus reuniram–se regularmente no gabinete do Primeiro–Ministro polaco para preparar a unidade da Europa no pós–guerra. A Polónia, a Checoslováquia, a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Noruega, a Jugoslávia e a Grécia — participaram na iniciativa, sendo a Polónia representada justamente por RETINGER. A ordem do dia destas reuniões compreendia a preparação das condições do armistício, o desarmamento alemão e a reconstrução da Europa [SAINT-OUEN, 1997: 83]. Seria, porém, pós–1945 que o entusiasmo europeísta de RETINGER se viria a consubstanciar e a traduzir num maior envolvimento nas questões conexionadas com a unidade política do continente europeu. Em 1946 e com a preciosa colaboração de um outro europeísta convicto — Paul van ZEELAND — é criada em Bruxelas a Liga Europeia de Cooperação Económica , logo denominada Liga Independente para não deixar transparecer qualquer atitude discriminatória relativamente aos EUA. Quando muitos movimentos despontam um pouco por toda a Europa em defesa das teses unionistas, são várias as representações que a Liga abre em diversos Estados europeus: KEERSTENS representa–a na Holanda; Michel DEBRÉ, Giscard D'ESTAING e François–PONCET em França; La MALFA em Itália; MACMILLAN além–Mancha; Adolf BERLE nos EUA. A semente europeísta estava lançada e o Congresso da Europa, iniciado em 7 de Maio 1948, na Haia, representá–la–ia na sua plenitude porque foi essencialmente obra pessoal de RETINGER [ROUGEMONT, 1994a: 460-483]. E coroaria a carreira deste europeu europeísta que, para além do sucesso em que se traduziu o Congresso, soube explorar os seus resultados junto dos governos europeus por forma a que as conclusões saídas do conclave holandês se viessem a materializar com a assinatura, em Janeiro de 1949, no Palácio Saint–James, em Londres, da Convenção que instituiria o Conselho da Europa. Não tendo exercido o poder político, a contribuição de Joseph RETINGER para a causa europeia não se poderá questionar. Na originalidade do seu método residiria a essência da sua acção: cada manhã despertava pelas cinco horas, lia grossos livros de história, de política ou de filosofia religiosa. Mas o seu verdadeiro trabalho não começava antes da hora em que podia começar a telefonar e a marcar entrevistas — com políticos, Presidentes, Ministros, Deputados, Parlamentares. Era então que despontava a sua acção criadora. O seu método era a entrevista — e de preferência individual [ROUGEMONT, 1994a: 460-483].</span>

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:28

Para uma cronologia europeia

Quarta-feira, 05.03.08
  • Numa carta aberta enviada aos chefes de Estado e de Governo dos 27 e ao Presidente da CE uma semana antes da Cimeira da Primavera do Conselho Europeu, que se realizará em Bruxelas e em que será feita a análise anual da Estratégia de Lisboa de modernização da economia europeia, os socialistas europeus do PSE, o segundo maior grupo do PE, consideram que Durão Barroso «enterrou a cabeça na areia» e acusam-no de «inacção inaceitável» em vários domínios em que pedem aos líderes dos 27 para «assumir as suas responsabilidades»</span>
  • A Ossétia do Sul, região separatista pró-russa da Geórgia, pediu hoje à Rússia, à ONU e à UE que reconheçam a sua independência, à semelhança do que aconteceu recentemente no Kosovo, avançaram as agências russas.

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publicado por Joao Pedro Dias às 18:16

Para uma cronologia europeia

Segunda-feira, 03.03.08
  • O PR francês, Nicolas Sarkozy, e a Chanceler alemã, Angela Merkel, encontram-se para um jantar de trabalho em Hanôver, num momento em que um mal-estar persistente afecta as relações franco-alemãs, nomeadamente devido ao projecto de criação de uma União Mediterrânica, defendido pela França, o papel do BCE e os défices públicos.O encontro foi decidido após as tensões entre os dois Estados terem ficado expostas, na sequência da anulação recente de duas reuniões de alto nível, que Paris e Berlim justificaram invocando ambas "razões de calendário".
  • O Conselho da UE deu hoje um ano aos Estados-Membros para submeterem a droga estimulante BZP a «medidas de controlo» e «sanções penais», em conformidade com as respectivas legislações nacionais, revelou o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT) na sequência de um estudo que foi elaborado em 2007 pelo Comité Científico alargado do OEDT, com a participação adicional de peritos da CE, da EUROPOL e da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), que foi entregue ao Conselho da UE em Maio de 2007, que analisava os riscos sociais e para a saúde pelo consumo daquele droga, bem como informações sobre o tráfico internacional e o envolvimento do crime organizado.

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publicado por Joao Pedro Dias às 18:26






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