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Palavras sábias

Quinta-feira, 25.08.11

«Temos de ter cuidado para não jogarmos tudo fora. Temos de regressar rapidamente à nossa velha confiabilidade que sempre foi a nossa âncora. Se a abandonarmos, a base de confiança será perdida, a incerteza alastrará e, no final, a Alemanha estará isolada» - Helmut Kohl, sobre a política europeia de Angela Merkel.

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publicado por Joao Pedro Dias às 13:57

Ex-chanceler Helmut Kohl critica Merkel e alerta para perigos na UE

Quarta-feira, 24.08.11

"O antigo chanceler alemão Helmut Kohl criticou, esta quarta-feira, a actuação de Angela Merkel e alertou para o perigo de desmoronamento da União Europeia. Helmut Kohl, que é do mesmo partido que Angela Merkel (CDU), advertiu, numa entrevista à imprensa, para o perigo de um desmoronamento da União Europeia e defendeu o apoio aos países em dificuldades, porque, considerou, não há outra solução para evitar o descalabro da Europa comunitária. «Comigo a Grécia não tinha entrado para o grupo» e «a Alemanha nunca tinha violado o pacto de estabilidade», disse, criticando indirectamente Angela Merkel. «A Europa precisa de um pacote de medidas inteligentes, equilibradas e voltadas para o futuro para podermos regressar ao bom caminho», defendeu o homem que foi chanceler de 1982 a 1998 e que também está descontente com a política externa alemã. «Deixámos de ser um país de actos previsíveis na política externa e interna», considerou. «Para onde vai, para onde quer ir a Alemanha», perguntou, referindo-se à política transatlântica. Antes era impensável o presidente norte-americano vir à Europa sem passar pela Alemanha, disse, referindo-se à última visita de Barack Obama. «Temos de ter cuidado para não pormos tudo em jogo», rematou. Também o presidente da República da Alemanha criticou, esta quarta-feira, a gestão da crise na Europa e atacou o Banco Central Europeu (BCE) pelo facto de comprar títulos do tesouro dos países em crise." [Fonte]

 

Nesta Europa sem norte e sem rumo, ainda é reconfortante escutar algumas vozes da razão que, esporadicamente, se vão ouvindo. Helmut Kohl é uma delas, quiçá a maior de entre as maiores. Traído e abandonado pela Sra Merkel, votado ao ostracismo pela sua antiga seguidora, tem deixado, recentemente, à laia de testamento político, apontamentos diversos sobre o rumo da União que ajudou a construir e que está a ver ruir. São alertas que devem ser ouvidos e escutados porque levam ínsitos a essência do verdadeiro espírito europeu, recentemente tão perdido e tão esquecido.

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publicado por Joao Pedro Dias às 22:52

Áustria também recusa euro-obrigações

Terça-feira, 23.08.11

"É cada vez mais longa a lista de países europeus a recusarem a criação de euro-obrigações. Depois da França, Alemanha, Holanda e Finlândia, é agora a vez de a Áustria dizer «não» à dívida comum na zona euro. O chanceler austríaco, Werner Faymann, manifestou-se ainda avesso à criação de um governo económico europeu, conforme proposto pela sua homóloga alemã e pelo presidente francês, considerando que se trata de um debate puramente teórico, impossível de colocar em prática. «Quem conhece a dificuldade que é rever os tratados europeus, dado que temos 44 partidos políticos nos governos, tem a obrigação de saber que se trata de propostas impraticáveis», diz.A Áustria, tal como a França, a Alemanha, a Holanda e a Finlândia, é um país com rating máximo (AAA) e um dos que seria mais prejudicado pela emissão de euro-obrigações, já que este sistema implicaria juros mais altos que os actuais para os países financeiramente mais sólidos, e uma descida dos juros da dívida pública para os países que pagam agora taxas mais elevadas. A Bélgica é, até agora, o único país de rating AAA a apoiar a emissão de dívida da Zona Euro".

 

Se o ambiente geral que vivemos propicia que o interesse nacional se sobreponha ao interesse colectivo e à coesão e solidariedade europeias, não devemos estranhar que quem cumpriu objectivos, quem foi sério e rigoroso e quem fez os trabalhos de casa, denote oposição a medidas que privilegiam a solidariedade europeia, o interesse geral, o bem comum. No fundo, é o fosso cada vez maior que se cava no seio da UE entre os afortunados e nós, os outros.

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publicado por Joao Pedro Dias às 22:42

Zapatero quer limitar défice e dívida na Constituição

Terça-feira, 23.08.11

"O Primeiro-Ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, propôs hoje uma reforma da constituição para lhe inscrever um limite ao défice público e à dívida, uma iniciativa que tem o apoio do líder da oposição, Mariano Rajoy. A proposta desta “regra para garantir a estabilidade orçamental”, assim a descreveu Zapatero citado pela AFP, tinha sido aprovada em Conselho de Ministros na sexta-feira, no âmbito de um programa mais vasto de combate à crise e reequilíbrio das contas públicas, e foi apresentada hoje no debate parlamentar para validação deste decreto-lei. Esta reforma constitucional visa estabelecer limites quer para o défice estrutural quer para a dívida pública, e vincularia todas as administrações públicas, segundo explica o diário El Mundo no seu site. Zapatero disse também que já tinha apresentado esta propostas ao líder do Partido Popular (maior partido da oposição), Mariano Rajoy, e ao candidato do seu partido (o PSOE) às próximas eleições legislativas de 20 de Novembro, Alfredo Pérez Rubalcaba, e que considera ser possível alcançar um acordo. Segundo disse Zapatero no Parlamento, a proposta de limitar o défice e a dívida permitiria “reforçar a confiança na economia espanhola a médio e a longo prazo”."

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:22

O Senhor Van Rompuy

Domingo, 21.08.11

«O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, manifestou hoje a sua discordância quanto à emissão de “eurobonds” como possível saída da crise económica, em linha com a Alemanha e a França, e assegurou que existem outras soluções. Numa entrevista à rádio pública belga (RTBF), Van Rompuy explicou que a Europa deveria esperar que as suas economias e objectivos alcançassem uma maior convergência antes de avançar com a emissão de obrigações do tesouro europeias. “Não é o momento adequado”, afirmou lembrando que a União Europeia (UE) já teve que resgatar três países gravemente afectados pela crise económica (Grécia, Portugal e Irlanda) e que os índices de dívida dos países membros variam entre os 6,6 por cento do PIB, na Estónia, e os 142,8 por cento, na Grécia. As declarações de Van Rompuy foram feitas um dia após o ministro das Finanças belga, Didier Reynders, ter defendido a emissão de “eurobonds” e ter dito que na prática já se tomaram medidas similares. Van Rompuy referiu-se também ao pânico injustificado nos mercados que levou o Banco Central Europeu (BCE) a comprar dívida pública, para apoiar Espanha e Itália, com uma quantidade semanal recorde de 22.000 milhões de euros. “Os mercados nem sempre têm razão”, afirmou acrescentando que a solução para a crise passa pelo reforço do fundo de resgate, actualmente dotado com 440.000 milhões de euros, e exortou os países comunitários a avançarem rapidamente neste sentido».

 

Parece explicado por que razão o directório preferiu Van Rompuy para liderar o futuro pseudo-governo da euro zona. Aproximando-se do fim do seu primeiro mandato como Presidente do Conselho Europeu, e só podendo ser reeleito mais uma vez para um novo mandato de dois anos e meio, a irrelevância política optou pela subserviência prudente em nome da sua sobrevivência política. Esqueceu-se de lembrar que quando chegar o momento, em sua opinião adequado, para a introdução de euroobrigações, da Europa da União que conhecemos pode não restar nada mais do que uma simples memória ou uma ténue recordação. Em sua opinião - tal como Sarkozy já havia deixado nota - a mutualização das dívidas dos Estados europeus deverá surgir no fim do processo. Traduzindo - quando a situação europeia for pouco menos que irreversível e perdida. Mas agora também se percebe melhor por que razão o Conselho Europeu e o próprio Conselho do ECOFIN têm tido tantas dificuldades em tomar efectivas medidas de combate à crise das dívidas soberanas. Se as restrições e as hesitações partem de quem tinha a obrigação de as dirimir, estará tudo dito.

 

Uma nota final não pode deixar de ser suscitada por esta (triste) notícia: definitivamente - o tempo de Durão Barroso parece pertencer ao passado da UE.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:47

Jacques Delors está pessimista quanto ao futuro do euro e da União Europeia

Quinta-feira, 18.08.11

"O euro e a União Europeia estão «à beira do precipício». O alerta é dado pelo antigo presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, numa entrevista publicada esta quinta-feira nos jornais «Le Soir» (belga) e «Le Temps» (suíço). «Temos de abrir os olhos: o euro e a Europa estão à beira do precipício. Para que não caiam, a escolha parece-me simples: ou os Estados-membros aceitam a cooperação económica reforçada que sempre defendi, ou transferem mais poderes para a União». O antigo presidente da Comissão afirmou ainda, citado pela Lusa, que «desde o início da crise» que os dirigentes europeus «têm passado ao lado da realidade». E acusa mesmo os líderes das grandes potências da Zona Euro, Alemanha e França, de «formular respostas vagas e insuficientes». É que, «tal como estão, não servem para nada», disse Delors sobre as propostas do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã, Angela Merkel, de reforma das instituições comunitárias para responder à crise da dívida. Na entrevista aos dois jornais francófonos, Delors defendeu a mutualização das dívidas dos estados-membros «até 60%» do respectivo Produto Interno Bruto (PIB). A mutualização parcial da dívida «devolveria sentido à cooperação comunitária. Os estados-membros devem, simultaneamente, levantar as suas últimas objecções aos seis projectos de directivas sobre governação económica, que o Parlamento Europeu logicamente reforçou para tornar mais automáticas as sanções em caso de derrapagem orçamental»."

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:57

Um paradoxo meramente aparente

Segunda-feira, 15.08.11

"O Ministro das Finanças britânico, George Osborne, pediu esta segunda-feira aos países da Zona Euro que avancem numa maior integração orçamental, de forma a transmitirem confiança à economia mundial. A Zona Euro «deve agora demonstrar seu compromisso com uma maior integração orçamental e com disposições de governação que evitem o risco moral e reforcem a responsabilidade fiscal», disse Osborne, num artigo em co-autoria com o seu homólogo de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, publicado no «Financial Times». Na semana passada, Osborne já exortou os seus homólogos da Zona Euro a tomarem rapidamente todas as medidas necessárias, incluindo a criação de «euro-obrigações» (Eurobonds), para evitar a desintegração da moeda única, «o que seria um desastre económico, inclusive para o Reino Unido»".

 

Parece paradoxal - contra a opinião franco-alemã que recusa a emissão de títulos europeus de dívida pública (eurobonds), é o Reino Unido que, não integrando o euro, vem defender essa medida como condição de defesa da moeda europeia. O paradoxo, porém, é apenas aparente.


Defensor, desde sempre, duma visão predominantemente económica do processo de integração europeia, apostando sempre muito mais na sua dimensão económica do que na sua dimensão política, e tendo nos restantes parceiros comunitários os seus principais interlocutores comerciais, é do mais absoluto interesse do Reino Unido que a Europa da União, e particularmente a sua zona euro, ultrapasse o mais rapidamente possível o momento de turbulência que vive e que aparece associado às dívidas soberanas de alguns dos seus Estados da periferia, num movimento, de resto, que se está a aproximar do centro da Europa e parece já não querer poupar, sequer, algumas das suas principais economias. O pior que podia suceder a Londres era ter de kidar com o desmembramento da moeda única europeia e com o cenário previsivelmente catastrófico que daí adviria e que daí resultaria. Dito de outra forma - é do interesse britânico a manutenção da moeda única, não para a ela aderir mas para com ela poder continuar a relacionar-se.

 

É nesta lógica e sob este prisma, essencialmente egoístico, que deve ser entendida a preocupação do Reino Unido com a moeda única europeia - à qual, de resto, sempre se recusou a aderir, recusando sistematicamente abrir mão da sua estrelina nacional. E é também a esta luz que se deve perceber a defesa ou sugestão de criação dos célebres «eurobonds» ou títulos europeus de dívida pública que permitiriam uma mutualização das dívidas soberanas dos Estados que compartilham o euro como moeda própria. Com o detalhe, nada dispiciendo de, não integrando o eurogrupo, Londres se eximir a participar nos necessários e indespensáveis custos financeiros associados à criação desse instrumento de dívida pública europeia (recorde-se que, mantendo-se fora do eurogrupo, o Reino Unido já não participa directamente no esforço financeiro dos resgates europeus em curso, exceptuando, por razões específicas, o ocorrido com a República da Irlanda mas, mesmo aí, com base em acordos bilaterais e não no âmbito do Fundo de Estabilização Financeira).

 

É, pois, mais aparente do que real o paradoxo que resulta das palavras do Ministro das Finanças britânico - determina-o e move-o, essencialmente, o seu interesse nacional específico, mais do que o próprio interesse comunitário.

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:11

Outra vez George Soros

Segunda-feira, 15.08.11

"O problema grego foi tratado tão mal que a melhor coisa a fazer neste momento seria a saída ordeira” da zona euro e da própria UE, propõe Soros, em entrevista publicada na revista alemã Der Spiegel citada pela AFP. O que Soros propõe para Portugal é exactamente o mesmo caminho. Defendendo uma saída ordeira, diz, “a UE e o euro “sobreviveriam”". A questão é sempre a mesma - alguns conselhos agradecem-se; outros, dispensam-se. Tudo depende de quem os dá.

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publicado por Joao Pedro Dias às 03:02

50 anos do Muro de Berlim

Sábado, 13.08.11

Completam-se hoje os 50 anos da construção de um Muro que, a partir da madrugada de 12 para 13 de Agosto de 1961, envergonhou a Europa, dividiu a Alemanha mas, paradoxalmente, garantiu a estabilidade uma certa ordem internacional. Fica assinalado o facto, para que a vergonha não seja irradicada da memória dos vindouros.

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publicado por Joao Pedro Dias às 02:55

George Soros tem razão

Sexta-feira, 12.08.11

George Soros tem razão - "Foram as hesitações alemãs que reforçaram a crise na Grécia e conduziram ao contágio que se transformou numa crise existencial para a Europa”, “foi um erro não atribuir o papel de fiador, em casos de incumprimento, à União Europeia, mas aos respectivos Estados" - mas não tem autoridade moral. Todos nos lembramos da crise do SME que ele, quase sozinho, provocou em 1992.

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publicado por Joao Pedro Dias às 02:49


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