Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Referendo europeu na Irlanda

Quinta-feira, 31.05.12

Hoje há referendo na Irlanda sobre o novo Tratado orçamental europeu. Pese embora a importância do acto, sobretudo devido ao facto de o país estar a ser resgatado e intervencionado pela UE/BCE/FMI e se o «não» ganhar isso impedir que Dublin recorra a novo empréstimo internacional, parece que poucos repararam no assunto. Sinal dos tempos. Sinal da Europa que vivemos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 20:46

Draghi apela aos líderes da Zona Euro que clarifiquem a visão do euro

Quinta-feira, 31.05.12

«O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, apelou hoje aos líderes da Zona Euro para "clarificarem a visão" que têm do futuro da moeda única, defendendo que o atual sistema é "insustentável". "O próximo passo é, basicamente, os nossos líderes clarificarem a visão que têm para determinado número de anos a partir de agora. Como vai o euro parecer daqui a uns anos", afirmou Draghi, que falava na comissão dos assuntos económicos e monetários do Parlamento Europeu em Bruxelas. "Penso que quanto mais depressa for especificado, melhor", referiu Draghi, que falava na qualidade de líder do gabinete de Risco Sistémico Europeu. O BCE não pode "preencher o vácuo" deixado pelos governos da União Europeia (UE) nas áreas das reformas estruturais ou de governação, insistiu Draghi. E comparou a Zona Euro com um nadador que tenta atravessar um rio com nevoeiro. "Ele ou ela continua a lutar contra a corrente, mas não vê o outro lado do rio porque está nevoeiro, precisamos de tirar este nevoeiro". Esta será a melhor contribuição que os países podem dar para baixar os custos dos financiamentos e promover o crescimento da Zona Euro, afirmou. Draghi disse que "já foi demonstrado que (a actual configuração da Zona Euro) é insustentável se não forem tomadas mais medidas". "A crise financeira que começou há quatro anos e meio, mudou a nossa percepção do risco de forma substancial e aumentou a nossa aversão ao risco de uma forma dramática", afirmou. Apesar de terem sido registados "renovados picos de volatilidade e incerteza" nos mercados recentemente, a turbulência "não está nos mesmos níveis atingidos em novembro de 2011", considerou.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 12:02

A ameaça da amnésia alemã - by Joschka Fischer

Quarta-feira, 30.05.12

«A situação da Europa é séria – muito séria. Quem teria pensado que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, apelaria aos governos da zona euro para reunir coragem para criar uma união fiscal (com orçamento e política fiscal comuns e dívida pública solidariamente garantida)? E Cameron defende também que a integração política mais profunda é o único caminho para parar a desagregação do euro.


Um primeiro-ministro britânico conservador! A casa europeia está em chamas, e Downing Street está a pedir uma resposta racional e resoluta do corpo de bombeiros.


Infelizmente, o corpo de bombeiros é liderado pela Alemanha, e o seu chefe é a chanceler Angela Merkel. Como resultado, a Europa continua a tentar apagar o fogo com gasolina – a austeridade imposta pelos alemães – com a consequência de que, em três meros anos, a crise financeira da zona euro se tornou numa crise existencial europeia.


Não nos iludamos: se o euro se desagrega, assim acontecerá à União Europeia (a maior economia do mundo), espoletando uma crise económica global numa escala que a maior parte das pessoas hoje vivas nunca conheceu. A Europa está à beira de um abismo, e certamente cairá nele a não ser que a Alemanha – e a França – alterem o seu rumo.


As recentes eleições em França e na Grécia, juntamente com eleições locais em Itália e distúrbios continuados em Espanha e na Irlanda, mostraram que o público perdeu a fé na rígida austeridade que a Alemanha lhes impôs. O remédio radical de Merkel colidiu com a realidade – e com a democracia.


Estamos mais uma vez a aprender da maneira mais difícil que este tipo de austeridade, quando aplicado no decorrer de uma crise financeira importante, apenas leva à depressão. Esta perspectiva devia ser do conhecimento comum; foi, apesar de tudo, uma lição importante das políticas de austeridade do Presidente Herbert Hoover nos Estados Unidos e do chanceler Heinrich Brüning na Alemanha de Weimar no início da década de 1930. Infelizmente, a Alemanha, entre todos os países, parece tê-la esquecido.


Como consequência, o caos paira na Grécia, assim como a perspectiva de próximas corridas aos depósitos bancários em Espanha, Itália, e França – provocando uma avalanche financeira que soterraria a Europa. E depois? Devemos desperdiçar o que mais que duas gerações de europeus criaram – um enorme investimento em construção de instituições que levou ao mais longo período de paz e de prosperidade na história do continente?


Uma coisa é certa: uma desagregação do euro e da União Europeia implicaria a saída da Europa da cena mundial. A política actual da Alemanha é ainda mais absurda à vista das amargas consequências políticas e económicas que enfrentaria.


Compete à Alemanha e à França, a Merkel e ao Presidente François Hollande, decidir o futuro do nosso continente. A salvação da Europa depende agora de uma mudança fundamental na atitude da Alemanha relativamente à política económica, e da posição da França relativamente à integração política e a reformas estruturais.


A França terá que dizer sim a uma união política: um governo comum com controlo parlamentar comum para a zona euro. Os governos nacionais da zona euro já estão a agir em uníssono como um governo de facto para lidar com a crise. O que se está a tornar cada vez mais verdade na prática deve ser levado a cabo e formalizado.


A Alemanha, por seu lado, terá que optar por uma união fiscal. Em última análise, isso significa garantir a sobrevivência da zona euro com o poder económico e os activos da Alemanha: aquisição ilimitada dos títulos de dívida pública dos países em crise pelo Banco Central Europeu, europeização de dívidas nacionais através de eurobonds, e programas de crescimento para evitar uma depressão da zona euro e para impulsionar a recuperação.


Pode imaginar-se facilmente a celeuma na Alemanha sobre um programa deste tipo: ainda mais dívida! Perder o controlo sobre os nossos activos! Inflação! Simplesmente não funciona!


Mas funciona: o crescimento induzido pelas exportações da Alemanha é baseado em programas desse tipo, em países emergentes e nos EUA. Se a China e a América não tivessem distribuído capital parcialmente financiado por dívida nas suas economias desde 2009, a economia alemã teria sofrido um sério golpe. Os alemães devem agora questionar-se se eles, que foram quem mais lucrou com a integração europeia, estão dispostos a pagar por esta o preço devido ou se preferem deixar que esta falhe. Para além da unificação política e fiscal e de políticas de crescimento para o curto prazo, os europeus precisam urgentemente de reformas estruturais dirigidas à restauração da competitividade da Europa. Cada um destes pilares é necessário para que a Europa ultrapasse a sua crise existencial.


Entenderemos nós, alemães, a nossa responsabilidade pan-europeia? Certamente não parece que assim seja. Na verdade, raramente esteve a Alemanha tão isolada como agora. Quase ninguém compreende a nossa política de austeridade dogmática, que vai contra toda e qualquer experiência, e consideram-nos bastante fora de rumo, senão mesmo dirigindo-nos para o tráfego que vem em sentido contrário. Ainda não é tarde demais para mudar de direcção, mas agora temos apenas dias e semanas, talvez meses, em vez de anos.


A Alemanha destruiu-se – e à ordem europeia – duas vezes no século vinte, e depois convenceu o Ocidente que tinha chegado às conclusões certas. Só desta maneira – reflectida vividamente no seu apoio ao projecto europeu – conseguiu a Alemanha consentimento para a sua reunificação. Seria simultaneamente trágico e irónico se uma Alemanha restaurada, por meios pacíficos e com a melhor das intenções, trouxesse a ruína da ordem europeia por uma terceira vez.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 23:51

França e Luxemburgo insistem que é preciso debater a criação de euro-obrigações

Quarta-feira, 30.05.12

«O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e o ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, defenderam nesta quarta-feira a necessidade de a zona euro discutir a criação de obrigações europeias, um dossier que o Presidente francês, François Hollande, prometeu recolocar no debate europeu. Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês e líder do Eurogrupo enquanto responsável pelas Finanças do seu país, recebeu Pierre Moscovici na sede do Governo do Governo luxemburguês. Pierre Moscovici reiterou a posição do Governo francês para que a zona euro crie um mecanismo de emissão de obrigações europeias (títulos de dívida). A proposta, que considerou importante e estrutural, “está sempre em cima da mesa”. Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o ministro francês das Finanças reconheceu, numa referência à oposição alemã à mutualização da dívida dos países da moeda única, que existem pontos de vista que “não são idênticos” na Europa. Juncker lembrou, por seu lado, que propôs em 2010 a criação de obrigações europeias. Mas, nessa altura, sublinhou, o debate foi relativizado na Europa. Agora, a questão deve ser objecto de debate, insistiu. Em Novembro, a Comissão Europeia apresentou um estudo sobre três modelos possíveis de euro-obrigações, possibilidade que foi nessa altura criticada por responsáveis alemães. O reforço da integração da zona euro através de uma “união bancária”, a que apelou hoje o executivo comunitário, foi também abordada no final da reunião de Juncker e Moscovici. A propósito das recomendações económicas que Bruxelas emitiu nesta quarta-feira, observando que França poderá precisar de um esforço adicional para cumprir o objectivo do défice em 2013, o ministro francês das Finanças garantiu que a segunda maior economia do euro “respeitará os seus compromissos em termos de finanças públicas”. França vai cumprir a meta do défice de 4,5% este ano e de 3% no próximo, assegurou Moscovici.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 21:44

Alemanha pede rapidez na ratificação do Tratado

Quarta-feira, 30.05.12

«A Alemanha está com pressa. O ministro federal da economia da Alemanha, Philipp Rosler, recomendou esta quarta-feira uma rápida ratificação do Tratado Orçamental por todos os países signatários, de forma a dar «um forte sinal» no sentido de defender o euro. No final de uma reunião com o seu homólogo portuguêsÁlvaro Santos Pereira, questionado pelos jornalistas sobre se Espanha deveria pedir ajuda externa, Philipp Rosler respondeu: «Os problemas que afetam a zona euro podem ser resolvidos com a ratificação do Tratado Orçamental, bem como do Mecanismo de Estabilidade Europeu, que rapidamente podem dar um forte sinal aos mercados de que os europeus estão prontos para defender a sua moeda», cita a Lusa. O governante alemão congratulou-se com o o facto de o Governo ter ratificado «rapidamente o Tratado Orçamental e com isso ter enviado aos mercados um sinal positivo». O ministro alemão vai de seguida reunir-se com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e posteriormente participará no fórum empresarial luso-alemão que decorrerá no IAPMEI –Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento, em Lisboa. Rosler visita hoje Portugal fazendo-se acompanhar de uma comitiva de empresários alemães.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 12:49

França mostra reservas sobre disponibilidade alemã para liderar Eurogrupo

Terça-feira, 29.05.12

«O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, mostra reservas sobre uma eventual nomeação do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, para a liderança do Eurogrupo, criticando a estratégia de combate à crise pela via da austeridade, e ao insistir que o sucessor de Jean-Claude Juncker tem de colocar o crescimento no topo das prioridades. A posição francesa foi assumida por Jean-Marc Ayrault numa entrevista publicada nesta segunda-feira no site da revista L’Express, onde é abordada a disponibilidade do governante alemão para liderar o fórum informal que reúne os ministros das Finanças dos 17 países da zona euro. Questionado sobre se a escolha de Schäuble para o Eurogrupo é “impensável”, o primeiro-ministro francês não assume uma posição clara. Mas critica o discurso que tem dominado as posições de Schäuble sobre o caminho para a resolução da crise das dívidas, em particular, a situação na Grécia. Os cidadãos “estão cansados deste clima de austeridade sem perspectivas, que cria argumentos para os populismos”, atira, depois de insistir na prioridade do crescimento para devolver “um novo futuro com confiança” à Europa. “Os alemães fizeram muitos esforços para a sua reunificação, são exigentes sobre a capacidade de cada país em controlar as suas contas públicas. Mas o problema é hoje o crescimento e o fosso que aumenta entre a Europa do Norte e do Sul”, observa. Por isso não se compromete sobre qual dos ministros com assento no Eurogrupo é que França vai apoiar para a liderança deste fórum informal. Desvaloriza a disponibilidade do governante conservador alemão para suceder ao luxemburguês Juncker, eleito em Janeiro de 2010 e cujo mandato termina a 17 de Julho. E reforça o que François Hollande defendeu uns dias antes de tomar posse como Presidente, quando este elogiou o trabalho de Juncker considerando útil o seu papel para defender o crescimento como via para inverter a estratégia de resolução da crise. Na pequena parte da entrevista onde são abordadas directamente as questões económicas europeias, a Grécia domina as preocupações do primeiro-ministro socialista francês. Reitera o apoio de Paris sobre a permanência do país na moeda única. E, neste caso, frisa a convergência de posição com a Alemanha. “Esperamos, como os alemães, e como a imensa maioria dos gregos, que continue na zona euro. É preciso dizer [à Grécia] que a Europa não a vai deixar cair, nomeadamente utilizando melhor os fundos estruturais, mas que têm reformas a fazer, por exemplo, a fiscal”. Sobre o dossier francês para a criação de obrigações europeias, Jean-Marc Ayrault frisa vagamente que “tudo deve estar em cima da mesa”, acrescentando que as incertezas em torno da situação grega obrigam a “abordar todas as hipóteses”. “As eurobonds, François Hollande disse-o, são uma perspectiva. Enquanto isso, o Mecanismo Europeu de Estabilidade pode desempenhar um papel mais [relevante] do que o esperado. Tenho confiança no pragmatismo dos nossos parceiros alemães”.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 21:23

Kerber: a Alemanha tem de abandonar o euro

Terça-feira, 29.05.12

«Já o ouvimos dizer que quem tinha de abandonar o euro era Portugal. Bateu-se junto do tribunal constitucional alemão contra os "bailout" do Sul – e perdeu. Agora diz que é a Alemanha que deve deixar o euro e criar uma moeda mais forte, o "florim-marco", com os vizinhos com balanças correntes positivas. Markus Kerber é professor de finanças públicas e fundador do Europolis, um movimento alemão muito crítico do percurso recente do projecto europeu, que chegou a apresentar uma providência cautelar junto Tribunal Constitucional de Karlsrühe para impedir que a Alemanha fornecesse garantias no empréstimo a Portugal. Kerber perdeu esse caso, como perdera em Setembro de 2011 quando tentou travar a participação alemã no primeiro pacote de assistência à Grécia, alegando que esse empréstimo constituía uma violação do princípio do “no bailout,” repetidamente expresso nos Tratados europeus, e que tinham sido também violadas as premissas do parlamento alemão relativas ao controlo do uso a ser dado aos impostos pagos pelos contribuintes germânicos. Durante esse período, defendeu que países, como Portugal, que perderam aceleradamente competitividade durante a união monetária tinham de sair do euro para a reconquistar. “ O que não será possível enquanto estiver entalado no espartilho do euro. (…) Portugal está a sofrer as consequências de uma falta de consolidação atempada das suas finanças e só poderá recuperar se abandonar temporariamente a união monetária. A questão não é se, mas quando. Com o curso actual do euro aliado a um programa de austeridade não há saída possível, pois a austeridade vai conduzir à recessão”, argumentava há um ano, em entrevista ao “Diário Económico”. Hoje, Markuz Kerber pensa diferente: quem deve sair do euro é a Alemanha. Que deverá aliar-se a países vizinhos mais parecidos, designadamente que vendam mais ao mundo do que lhe compram, em torno de uma nova “âncora de estabilidade”: o florim-marco (‘guldenmark’). Em sua opinião, chegou a hora de negociar um “compromisso histórico” para salvar não o euro, mas a União Europeia. “Quem quer salvar o projecto europeu tem de permitir aos países do euro com contas correntes excedentárias introduzir uma moeda paralela”. Kerber diz que é preciso trilhar caminhos novos porque “ pacotes de resgate massivos não são a solução, apenas mascaram a severidade da situação”. A acompanhar a Alemanha nessa nova moeda, com curso legal paralelo ao do euro, estariam Holanda, Finlândia, Áustria e Luxemburgo – já a França ficaria no velho euro. Rapidamente, antecipa Kerber, o florim-marco se tornaria numa moeda mais forte do que o euro, o que ajudaria a periferia a reconquistar competitividade e a pagar as suas dívidas. A OCDE assume nos seus modelos macroeconómicos que uma desvalorização de 10% do euro acrescenta 1% ao PIB nominal e 0,7% ao real. Kerber argumenta que todos - os que permanecessem no euro e os que entrassme no “guldenmark” - ficariam a ganhar. Porque uma moeda paralela, argumenta, deve ser encarada como “a conclusão lógica do falhanço do euro” e o caminho para garantir sobrevivência da União Europeia: a crise actual, considera, "está a ameaçar todo o projecto europeu”». [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 21:21

Eurolândia prepara novo salto na integração

Quinta-feira, 24.05.12

«Os países da zona euro estão a ponderar aprofundar de forma significativa a sua união económica e monetária ao assumir um plano que poderá incluir um sistema europeu de garantias bancárias, um regime europeu de supervisão do sistema bancário e a emissão comum, a prazo, de dívida pública através de eurobonds (obrigações europeias). O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, foi mandatado pelos líderes para desenvolver estas e outras pistas e apresentar dentro de pouco mais de um mês um relatório com as opções possíveis e um método de trabalho para as desenvolver. Este temas foram acertados pelos líderes da União Europeia (UE) durante o jantar informal que os reuniu na quarta-feira à noite para debater "sem tabus" pistas de estímulo à economia e novas possibilidades de aprofundamento da integração europeia para responder à crise da dívida. Van Rompuy trabalhará com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. O tema voltará a ser abordado pelos líderes na próxima cimeira europeia de 28 e 29 de Junho. O presidente do Conselho Europeu confirmou que a questão dos eurobonds – um dos temas potencialmente mais controversos devido às divergências entre os governos, a começar pela França e Alemanha –, foi "abordada rapidamente por vários líderes durante o encontro que terminou depois da uma hora da manhã. Mas, frisou, a questão foi invocada "no quadro do aprofundamento a longo prazo da união económica e monetária". "Ninguém pediu a sua introdução imediata", frisou, lembrando que é uma questão que "levará tempo". O Presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, e Jean-Claude Juncker foram os principais defensores de um mecanismo destinado a permitir aos 17 membros do euro a partilha, de forma solidária, dos riscos da dívida emitida em comum de modo a baixar as taxas de juro dos países com maiores dificuldades de financiamento no mercado. A chanceler alemã, Angela Merkel, assumiu uma posição bem mais prudente, ao afirmar que os títulos de dívida em comum "não contribuem para relançar o crescimento na zona euro". "Respeito a opinião" da chanceler, afirmou Hollande, lembrando que, segundo a posição alemã, os eurobonds são um ponto de chegada de um processo de integração política, económica e financeira.  O presidente do BCE assumiu uma posição semelhante ao afirmar que "os eurobonds só fazem sentido se houver uma união orçamental".Pedro Passos Coelho, primeiro ministro português, considerou igualmente que os eurobonds "não são uma resposta para a situação actual" e "correspondem a um estado de evolução da integração política e económica que deve ser acelerado" mas "não corresponde nesta altura a um salto qualitativo que objectivamente esteja ao nosso alcance". Passos frisou ainda que "não há uma oposição do governo português de princípio à ideia" e que esse avanço poderá ser concretizado no quadro de uma maior integração financeira, económica e política".A Françaconsidera, ao invés que os eurobonds constituem "um ponto de partida", afirmou Hollande explicando que "por isso, os debates vão continuar".  O Presidente francês deixou no entanto claro que "não houve um conflito ou um confronto" entre os líderes e que houve mesmo outros países "muito mais firmemente contra" os eurobonds do que a chanceler. Merkel também disse que o debate sobre este tema foi "muito equilibrado". [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 10:36

Dez razões pela Europa - by Dominique Moïsi

Quinta-feira, 24.05.12

«O euro, muitos agora acreditam, não sobreviverá à classe política fracassada na Grécia ou aos níveis crescentes de desemprego em Espanha: esperem só mais alguns meses, dizem eles, o colapso irresistível da União Europeia começou.


As profecias negras estão muitas vezes erradas, mas também podem se tornar auto-realizáveis. Vamos ser honestos: fazer o papel de Cassandra nos nossos dias não é apenas tentador num mundo da comunicação social, onde “a boa notícia é a falta de notícias”, mas parece de facto mais justificado do que nunca. Para a UE, a situação nunca esteve tão séria.


É precisamente neste momento crítico que é essencial “reinjectar” esperança e, acima de tudo, senso comum na relação. Então, aqui estão dez razões para acreditar na Europa – dez argumentos racionais para convencer os analistas pessimistas e os investidores igualmente preocupados, de que é bastante prematuro enterrar completamente o euro e a UE.


A primeira razão para ter esperança é que a boa governação está a regressar à Europa, ainda que em doses homeopáticas. É demasiado cedo para prever o impacto da eleição de François Hollande como presidente de França. Mas, na Itália, um homem, Mario Monti, já está a fazer a diferença.


É claro que ninguém elegeu Monti e a sua posição é frágil e já contestada, mas existe um consenso positivo, quase generalizado, que lhe permitiu lançar reformas estruturais há muito aguardadas. É demasiado cedo para dizer quanto tempo durará este consenso e quais as alterações que ele trará. Mas a Itália, um país que sob o governo arrogante de Silvio Berlusconi foi uma fonte de desespero, transformou-se numa fonte de optimismo real, ainda que frágil.


A segunda razão para acreditar na Europa é que com o sentido de Estado surgem progressos na governação. Monti e Hollande nomearam mulheres para cargos ministeriais importantes. Marginalizadas durante tanto tempo, as mulheres trazem agora uma apetência para o sucesso que beneficiará a Europa.


Terceira, a opinião pública europeia compreendeu, finalmente, a gravidade da crise. Nada poderia estar mais longe da verdade do que a alegação de que a Europa e os europeus, com a possível excepção dos gregos, estão em estado de negação. Sem a lucidez que resultou do desespero, Monti nunca alcançaria o poder na Itália.


Em França, também, os cidadãos não têm ilusões. Os seus votos para Hollande foram votos contra Sarkozy, não contra a austeridade. Eles estão convencidos, segundo os inquéritos à opinião pública publicados recentemente, de que seu novo presidente não cumprirá algumas das suas “promessas insustentáveis” e parecem aceitar esse facto como sendo inevitável.


A quarta razão para a esperança está ligada à criatividade da Europa. A Europa não está condenada a ser um museu do seu próprio passado. O turismo é importante, obviamente, e desse ponto de vista a diversidade da Europa é uma fonte única de atractividade. Mas esta diversidade é também uma fonte de imaginação criativa. Dos carros alemães aos artigos de luxo franceses, a competitividade industrial europeia não deve ser subestimada.


O momento em que a Europa realmente acreditar em si, da forma como a Alemanha acredita, e combinar um planeamento estratégico de longo prazo com investimentos em R&D bem distribuídos, fará toda a diferença. De facto, em certos domínios chave, a Europa possui uma tradição de excelência, reconhecida mundialmente, ligada a uma cultura de qualidade muito profunda.


A quinta fonte de optimismo é ligeiramente paradoxal. Os excessos nacionalistas tenderam a conduzir a Europa a guerras catastróficas. Mas o regresso do sentimento nacionalista na Europa, hoje, cria uma sensação de emulação e de competição, que se revelou, ontem, determinante na ascensão da Ásia. Os coreanos, os chineses e os taiwaneses queriam fazer o mesmo que o Japão. Da mesma forma, logo chegará o momento em que os franceses quererão fazer o mesmo que a Alemanha.


A sexta razão está ligada à própria natureza do sistema político da Europa. A famosa máxima de Churchill de que a democracia é o pior sistema político, com excepção de todos os outros, foi confirmada em todo o continente. Mais de 80% dos cidadãos franceses votaram nas eleições presidenciais. Ao assistirem nas suas televisões à solene, digna, pacífica e transparente transferência de poder do presidente que tinham derrotado, para o presidente que tinham elegido, os cidadãos franceses só se podiam sentir bem com eles próprios e só se podiam sentir privilegiados por viverem num estado democrático. Os europeus podem ser confusos, ineficientes e lentos na tomada de decisões, mas a democracia ainda constitui uma muralha de estabilidade contra a economia e outras incertezas. A sétima razão para acreditar na Europa está ligada ao universalismo da sua mensagem e das suas línguas. Poucas pessoas sonham em tornarem-se chinesas, ou em aprenderem as suas várias línguas para além do mandarim. Por outro lado, o inglês, o espanhol, o francês e, cada vez mais, o alemão transcendem as fronteiras nacionais.

 

Do outro lado do universalismo está o oitavo factor que apoia a sobrevivência da UE: o multiculturalismo. É um modelo contestado, mas o multiculturalismo é mais uma fonte de força do que de fraqueza. A fusão de culturas do continente torna os seus habitantes mais ricos em vez de mais pobres.


A nona razão para a esperança deriva dos novos e dos futuros membros da UE. A Polónia, um país que pertence à “Nova Europa”, está a reembolsar a UE com a legitimidade que obteve da Europa durante a sua transição pós-comunista. E a entrada da Croácia, seguida de Montenegro e de alguns outros países dos Balcãs, poderia compensar a saída da Grécia (caso isso ocorra aos gregos).


Finalmente, e mais importante, a Europa e o mundo não têm uma alternativa melhor. A crise grega pode estar a forçar a Europa a avançar para uma maior integração, com ou sem a Grécia. O filósofo alemão Jurgen Habermas fala de uma “realidade transformacional” – uma palavra complexa para uma simples realidade: divididos caímos, enquanto que unidos, à nossa complexa maneira, podemos lutar pela “grandeza”, no melhor sentido da palavra.


Os investidores, é claro, estão a cobrir as suas apostas. Depois de se terem aventurado com sucesso nos países emergentes não-democráticos, cujas fragilidades começam a temer, alguns, por prudência, começam a redescobrir a Europa. Eles podem muito bem ser os sábios.» [Fonte]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 01:13

Antecipando a Cimeira informal de hoje

Quarta-feira, 23.05.12

A próxima cimeira europeia será em Junho. Logo à noite, porém, os líderes dos 27 reunem-se informalmente, ao jantar, em Bruxelas. É a altura de começarem os seus jogos - mostrando algumas cartas, escondendo a maioria delas, fazendo bluff qb. O jogo vai começar; as alianças ir-se-ão desfazer e dar lugar a novas alianças. Convém estarmos atentos - porque muito do que suceder a 28 e 29 de Junho vai depender do que se passar mais logo em Bruxelas. Antevendo a cimeira informal de mais logo do Conselho Europeu, numa UE dizimada por problemas de crescimento-competitividade-desemprego, que tem de encontrar novos caminhos e novas soluções para fazer frente à crise, combinando necessárias medidas de estímulo ao crescimento com a proibição do mais endividamento público e privado, por gentil convite da TSF tentámos antecipar o que se pode vir a passar. O som pode ser escutado aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 16:43


Pág. 1/4






links

ORGANIZAÇÕES EUROPEIAS

COMUNICAÇÃO SOCIAL



comentários recentes

  • Jorge Greno

    Mas então o Português deixou de ser língua oficial...

  • Pedro

    Bom dia,O Casa Europa está novamente em destaque n...

  • Henrique Salles da Fonseca

    BRAVO!!!Todos os políticos no activo praticaram o ...

  • O mais peor

    Até que enfim o sapo destaca um blogue de valor qu...

  • De Puta Madre

    Eu Gostaria que o Espaço Europeu não Tivesse nos S...

  • Dylan

    Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por be...

  • Carlos Medeiros

    Gostei do post. Estou totalmente de acordo. E cons...

  • silveira

    Não é isso que diz a notícia!... De qualquer forma...

  • silveira

    Se eu fosse juíz sentiria vergonha por esta rejeiç...

  • silveira

    É claro como água!... Para voltarmos a ter justiça...




subscrever feeds