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O que nos espera

Sábado, 09.10.10

A previsão do FMI tornada pública é implacável – daqui a cinco anos, Portugal será o país com pior situação económica da UE. Depois de entrar em recessão no próximo ano, a economia vai voltar a crescer em 2012, mas a um ritmo mais lento do que qualquer outro país da UE. Além disso, terá o maior défice orçamental e externo, a quarta pior taxa de desemprego e a quinta maior dívida pública da Europa da União. E já nem se poderá consolar com a situação da Grécia, que voltará a crescer acima de dois por cento já em 2013.

Logo a partir de 2012 e até 2015 (que é até onde vão as projecções do FMI), Portugal será o país que vai crescer menos na UE. Daqui a cinco anos, o PIB aumentará apenas 1,2%, menos de metade da média prevista para os 27 países da UE (2,77%). A Espanha e a Irlanda, dois países que, tal como Portugal, têm sofrido o ataque dos mercados internacionais sobre a dívida pública, vão regressar ao crescimento já no próximo ano e, em 2015, estarão a crescer 2,01 e 3,49 por cento, respectivamente. Até a Grécia, que desencadeou a turbulência nos mercados internacionais da dívida pública e teve mesmo de recorrer à ajuda da UE e do FMI, vai recuperar mais rapidamente do que Portugal, tendo um crescimento duas vezes superior ao da economia portuguesa em 2015.

Do mesmo modo, a Grécia conseguirá reduzir progressivamente o seu défice até 2015, à semelhança de outros países que estiveram no epicentro da crise da dívida pública como a Espanha e a Irlanda. Portugal só conseguirá atenuar o desequilíbrio das contas públicas até 2013. A partir de 2014, ano em que começam a cair as primeiras facturas das parcerias público-privadas relativas às cinco novas subconcessões da Estradas de Portugal, o défice voltará a subir. Em 2015, atingirá 5,82% do PIB, o pior nível da UE e bastante acima do compromisso de 3% firmado com a Comissão Europeia.

Uma trajectória semelhante será seguida pelo défice externo português que, já no próximo ano, deverá ultrapassar o da Grécia como o pior entre os países da UE. O cenário vai manter-se até 2015, apesar de o défice ir baixando ano após ano.

Na dívida pública, Portugal vai manter-se um dos países com piores indicadores em 2015, apresentando o quinto maior nível de endividamento do Estado na UE, depois de Grécia, Itália, Bélgica e Irlanda.

Quanto ao desemprego, o FMI prevê que bata um novo recorde em 2012, atingindo os 11,6% da população activa. Só a partir daí, o número de pessoas sem trabalho começará a diminuir, atingindo 10,8% em 2015. Ainda assim, esta será a quarta pior taxa de desemprego da UE, depois da de Espanha (15,3%), Grécia (13,4%) e Letónia (13%).

Esta é a situação que nos espera, enquanto país, nos próximos anos. Perante ela, apenas se nos suscita uma dúvida – ninguém vai ser responsabilizado por isto?

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:38






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