Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Quanto custa o silêncio da Europa?

Segunda-feira, 08.11.10

Com os bolsos cheios de dinheiro, o Presidente chinês Hu Jintao continua o seu périplo económico e comercial por uma Europa em profunda crise económica, financeira e social – investindo em sectores estratégicos para o desenvolvimento chinês e garantindo a aquisição de parte importante das dívidas soberanas dos Estados europeus que se encontram em maiores dificuldades. Foi assim na Grécia, foi assim em França, foi também assim em Portugal. Como já é assim nos EUA, que são devedores de uma parte significativa da sua dívida externa justamente a Pequim. Este movimento de aproximação da República Popular da China à Europa surge no exacto momento em que despontam sinais de um maior distanciamento entre a Europa e o seu aliado norte-americano. As recentes eleições legislativas nos EUA, fortalecendo os republicanos na Câmara dos Representantes, podem ter contribuído para aumentar esse distanciamento. A cimeira da NATO em Lisboa na próxima semana, a par da cimeira bilateral EUA – UE que vai decorrer em paralelo e dos demais encontros bilaterais que não deixarão de juntar o Presidente Obama a alguns dos principais líderes europeus, podem contribuir para diminuir esse distanciamento. Veremos como se desenrolarão os encontros agendados. Quem não perdeu tempo e se antecipou a essa(s) Cimeira(s) foi o supremo magistrado chinês. Com os bolsos cheios, veio anunciar o auxílio à Europa que sabe que os EUA não estão em condições de prestar neste momento. Os Estados europeus, aflitos e endividados, aceitaram de bom grado a ajuda chinesa. Só que, como não há almoços grátis, todo o auxílio tem o seu custo. No caso vertente o preço parece fixado – é o preço do silêncio. Nada de perguntas sobre direitos humanos, nada de perguntas sobre o Tibete, nada de perguntas sobre o Dalai Lama, nada de perguntas sobre o Nobel encarcerado, nada de perguntas sobre os presos políticos e os prisioneiros de consciência, nada de perguntas sobre os exilados internos de que Pequim não abre mão. E, por acréscimo e como bónus, um maior distanciamento dos EUA. Foi este o preço da Europa. O preço do seu silêncio. Pequim achou que compensava pagá-lo. A Europa achou que compensava vendê-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 03:05






links

ORGANIZAÇÕES EUROPEIAS

COMUNICAÇÃO SOCIAL



comentários recentes

  • Jorge Greno

    Mas então o Português deixou de ser língua oficial...

  • Pedro

    Bom dia,O Casa Europa está novamente em destaque n...

  • Henrique Salles da Fonseca

    BRAVO!!!Todos os políticos no activo praticaram o ...

  • O mais peor

    Até que enfim o sapo destaca um blogue de valor qu...

  • De Puta Madre

    Eu Gostaria que o Espaço Europeu não Tivesse nos S...

  • Dylan

    Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por be...

  • Carlos Medeiros

    Gostei do post. Estou totalmente de acordo. E cons...

  • silveira

    Não é isso que diz a notícia!... De qualquer forma...

  • silveira

    Se eu fosse juíz sentiria vergonha por esta rejeiç...

  • silveira

    É claro como água!... Para voltarmos a ter justiça...