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A cooperação transatltântica

Sábado, 20.11.10

Terminou a Cimeira da NATO e todas as que se lhe sucederam como apêndices – nomeadamente a Cimeira UE – EUA. Para além do show-off mediático, sabe-se que, doravante, a NATO já tem o seu (novo) conceito estratégico, o terceiro após a queda do Muro, não menos generalista do que os anteriores, que permite as mais diversas leituras, como convém, para poderem ser legitimadas as políticas e as acções que a conjuntura recomendar. Parece ter sido abandonada a noção de «actor global» que volvia a organização numa espécie de polícia do mundo, em benefício dum conceito de «parceiro global» que coloca a organização em diálogo com outras entidades e organizações. Sabe-se, por igual, que vão difíceis as coisas no Afeganistão, e que qualquer retirada imediata apenas pode ser vista como uma miragem. E o esforço de partenariado com a Rússia não foi ao ponto de levar à abdicação do estratégico guarda-chuva nuclear, a instalar para protecção de inimigos não nomeados mas suficientemente identificados. O que não parece ter mudado significativamente foi a dependência, estratégica e de meios, da potência sobrante do mundo da guerra-fria, os EUA – os quais, é bom recordar, se encontram em acelerado processo de revisão do seu próprio conceito estratégico nacional, sendo inequívoca a primazia conferida às economias emergentes (Índia, Brasil, etc) e a deslocação para o Pacífico das suas opções preferenciais. Ou seja – o conceito estratégico da NATO, por muito importante que seja – e é-o – continua umbilicalmente dependente e subordinado ao conceito estratégico da sua potência liderante. E se somarmos ao facto de este estar a privilegiar a costa do Pacífico o facto de o próprio pilar europeu da Aliança não ter uma visão clara, uniforme e coerente sobre a dimensão transatlântica da sua política exterior, parece evidente que é essa mesma coesão transatlântica que fica comprometida e debilitada. A reafirmação dos laços transatlânticos, traduzidos em efectivos dados de facto – nomeadamente numa partilha efectiva de custos políticos quando a tanto houver lugar – e não apenas em pungentes declarações retóricas, constitui o ponto de partida para um novo e reforçado relançamento entre os EUA e a Europa, sobretudo a da União.

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publicado por Joao Pedro Dias às 17:35






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