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Um princípio de solução?

Quarta-feira, 13.07.11

Foi preciso a crise da dívida soberana ameaçar a terceira economia do euro – Itália – para a Europa reagir com todas as munições do seu arsenal contra a infecção financeira. Os líderes políticos dos 27 vão reunir-se num Conselho Europeu extraordinário, já na próxima sexta-feira, para discutir soluções imediatas e estancar o maior foco de contágio: a Grécia. Os líderes europeus dispõem agora de um menu de opções que constituíam, há apenas uma semana, autênticos tabus: incumprimento soberano, reestruturação e partilha da dívida são apenas três exemplos. A implicação directa destes termos é que a Europa caminha, pressionada pela crise, para uma união orçamental com transferências indirectas de dinheiros públicos entre países da zona euro.


Os ministros das Finanças europeus, reunidos durante oito horas em Bruxelas na segunda-feira (Vítor Gaspar diz que só falou durante 180 segundos), emitiram um comunicado esclarecedor: a Europa está pronta para “adoptar mais medidas que melhorem a capacidade sistémica da zona euro para resistir ao risco de contágio, incluindo aumentar a flexibilidade e o alcance do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), prolongar as maturidades dos empréstimos e baixar as taxas de juro com recurso a um mecanismo de garantia quando for apropriado”. A revisão do Fundo era o que o governo de Sócrates pretendia alcançar quando tentou ganhar tempo com o PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento).


Segundo uma fonte de Bruxelas, a declaração do Ecofin representa “uma notável evolução na política europeia porque abre a porta à mobilização do dinheiro europeu na recompra da dívida grega, o que permitiria aliviar o fardo do país”. Ou seja, uma reestruturação de dívida.


O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, assegurou ontem que “não haverá nenhum incumprimento na zona euro”. Mas o ministro das Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager, disse que “essa opção já não está excluída”. Já o poderoso ministro germânico das Finanças, Wolfgang Schäuble, foi claro: “Estamos determinados a fazer tudo o que seja necessário para manter a zona euro estável”.

 

Forcing da banca. O comunicado do Ecofin recupera uma ideia discutida nos bastidores há sete meses e que o lobby da banca internacional decidiu empurrar para a mesa das negociações: a redução da dívida grega através de operações de recompra de títulos soberanos. Charles Dallara, director do Instituto de Finança Internacional (IFI), que representa 400 instituições financeiras, enviou no domingo um documento aos ministros europeus com um aviso: “É essencial que os Estados-membros e o FMI actuem nos próximos dias para evitar desenvolvimentos descontrolados nos mercados e a aceleração dos riscos de contágio”. “Os planos dirigidos apenas às necessidades de financiamentoda Grécia sem redução de dívida, não vão funcionar, nesta fase, na estabilização dos mercados e na reversão do contágio. É necessário um programa de recompra dos títulos gregos para reduzir significativamente a montanha de dívida da Grécia e providenciar uma base sustentável de longo prazo”, lê-se no relatório do IFI.

 

“Haircut” voluntário. A banca sugere que a União Europeia compre dívida soberana no mercado secundário. Neste momento, cada título de dívida de Atenas é transaccionado a 52 cêntimos por euro. A Grécia pode recomprar a sua dívida no mercado, ou o Fundo Europeu por ela. Cabe aos investidores vender numa base voluntária. A operação poderá reduzir a dívida pública de Atenas – 350 mil milhões de euros ou 160% do PIB – para metade e terá ainda a vantagem de não accionar os seguros contra incumprimento soberano (credit default swaps – CDS). Embora as agências de rating possam classificar a operação como um “default selectivo”, a ISDA, entidade que define os “eventos de crédito” (incumprimentos), assegura que estes seguros não serão accionados. E segundo a ministra das Finanças austríaca, Maria Fekter, as seguradoras ofereceram já uma alternativa para apoiar o sector financeiro: podem fazer seguros diferentes dos CDS para títulos soberanos.


O relatório do IFI lança ainda um alerta para a divulgação dos testes de stress a 91 bancos da Europa, prevista para sexta-feira, “que pode exacerbar as preocupações do mercado com as perdas potenciais de outros títulos soberanos da zona euro”.


A movimentação do lobby da banca não surge por acaso. A subida das taxas de juro da dívida de Itália para 5,7% e a queda em bolsa das empresas e bancos foi um primeiro sinal do contágio da crise ao núcleo da Europa. Com Espanha na linha de fogo, a pagar 6% pelas obrigações a dez anos, um problema em Itália “significa um problema para a Europa”, como ontem lembrou o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A exposição da banca europeia a Itália totaliza 866,3 mil milhões de euros (mais do dobro dos 440 mil milhões do FEEF).

 

Privados entram. A solução europeia passará também pelo envolvimento do sector privado no segundo resgate financeiro de Atenas, provavelmente através de um prolongamento dos prazos de pagamento. “É uma exigência mais política do que outra coisa, sobretudo para mostrar aos eleitorados nacionais”, comenta uma fonte diplomática em Bruxelas. A ministra espanhola das Finanças,Elena Salgado, declarou ontem estar “contra a participação privada”, enquanto a austríaca Maria Fekter admitiu a hipótese.


Ontem, o Banco Central Europeu terá voltado a comprar dívida soberana no mercado secundário (o que já não fazia há 15 semanas) para travar volatilidade financeira: “Há sinais claros no mercado de que um potencial investidor está a comprar obrigações italianas e gregas, e até espanholas: só pode ser o BCE”, afirmou um trader de Frankfurt ao “El Mundo”.[Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 04:01






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