Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O Senhor Van Rompuy

Domingo, 21.08.11

«O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, manifestou hoje a sua discordância quanto à emissão de “eurobonds” como possível saída da crise económica, em linha com a Alemanha e a França, e assegurou que existem outras soluções. Numa entrevista à rádio pública belga (RTBF), Van Rompuy explicou que a Europa deveria esperar que as suas economias e objectivos alcançassem uma maior convergência antes de avançar com a emissão de obrigações do tesouro europeias. “Não é o momento adequado”, afirmou lembrando que a União Europeia (UE) já teve que resgatar três países gravemente afectados pela crise económica (Grécia, Portugal e Irlanda) e que os índices de dívida dos países membros variam entre os 6,6 por cento do PIB, na Estónia, e os 142,8 por cento, na Grécia. As declarações de Van Rompuy foram feitas um dia após o ministro das Finanças belga, Didier Reynders, ter defendido a emissão de “eurobonds” e ter dito que na prática já se tomaram medidas similares. Van Rompuy referiu-se também ao pânico injustificado nos mercados que levou o Banco Central Europeu (BCE) a comprar dívida pública, para apoiar Espanha e Itália, com uma quantidade semanal recorde de 22.000 milhões de euros. “Os mercados nem sempre têm razão”, afirmou acrescentando que a solução para a crise passa pelo reforço do fundo de resgate, actualmente dotado com 440.000 milhões de euros, e exortou os países comunitários a avançarem rapidamente neste sentido».

 

Parece explicado por que razão o directório preferiu Van Rompuy para liderar o futuro pseudo-governo da euro zona. Aproximando-se do fim do seu primeiro mandato como Presidente do Conselho Europeu, e só podendo ser reeleito mais uma vez para um novo mandato de dois anos e meio, a irrelevância política optou pela subserviência prudente em nome da sua sobrevivência política. Esqueceu-se de lembrar que quando chegar o momento, em sua opinião adequado, para a introdução de euroobrigações, da Europa da União que conhecemos pode não restar nada mais do que uma simples memória ou uma ténue recordação. Em sua opinião - tal como Sarkozy já havia deixado nota - a mutualização das dívidas dos Estados europeus deverá surgir no fim do processo. Traduzindo - quando a situação europeia for pouco menos que irreversível e perdida. Mas agora também se percebe melhor por que razão o Conselho Europeu e o próprio Conselho do ECOFIN têm tido tantas dificuldades em tomar efectivas medidas de combate à crise das dívidas soberanas. Se as restrições e as hesitações partem de quem tinha a obrigação de as dirimir, estará tudo dito.

 

Uma nota final não pode deixar de ser suscitada por esta (triste) notícia: definitivamente - o tempo de Durão Barroso parece pertencer ao passado da UE.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Joao Pedro Dias às 01:47






links

ORGANIZAÇÕES EUROPEIAS

COMUNICAÇÃO SOCIAL



comentários recentes

  • Jorge Greno

    Mas então o Português deixou de ser língua oficial...

  • Pedro

    Bom dia,O Casa Europa está novamente em destaque n...

  • Henrique Salles da Fonseca

    BRAVO!!!Todos os políticos no activo praticaram o ...

  • O mais peor

    Até que enfim o sapo destaca um blogue de valor qu...

  • De Puta Madre

    Eu Gostaria que o Espaço Europeu não Tivesse nos S...

  • Dylan

    Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por be...

  • Carlos Medeiros

    Gostei do post. Estou totalmente de acordo. E cons...

  • silveira

    Não é isso que diz a notícia!... De qualquer forma...

  • silveira

    Se eu fosse juíz sentiria vergonha por esta rejeiç...

  • silveira

    É claro como água!... Para voltarmos a ter justiça...