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Paris e Berlim mantêm divergências sobre ajudas europeias aos bancos e futuro da Grécia

Sexta-feira, 07.10.11

"Paris pretende utilizar ao máximo os mecanismo de socorro europeus para ajudar os bancos franceses, a despeito dos avisos de Berlim. De acordo com uma fonte diplomática em Bruxelas citada pelo jornal Handelsblatt, os dois países não se conseguem colocar de acordo sobre as linhas de aplicação do novo fundo de estabilização económico-financeira, o mecanismo de ajudas europeu cujo reforço foi decidido em Julho passado. Esse será um dos temas no próximo encontro entre o Presidente francês e Ângela Merkel, no próximo fim-de-semana. “Terei o prazer de estar em Berlim no domingo. Será o local mais apropriado para se falar em recapitalização dos bancos”, disse o chefe de Governo francês hoje numa conferência de imprensa, durante uma breve viagem ao Cáucaso. Outra linha de fractura entre os dois Governos, que também deverá ser abordada no domingo, é a reacção face à crise na Grécia, lembra por seu turno a Bloomberg. Enquanto a chanceler alemã defende a necessidade de os investidores se prepararem para a entrada da Grécia em situação de incumprimento (default), esse cenário é recusado por Sarkozy, que sabe que os bancos franceses são os que mais têm a perder. "Todo o debate alemão sobre a entrada da Grécia em incumprimento é um debate alemão, não um debate europeu", disse à Bloomberg um economista político e antigo funcionário do Ministério das Finanças alemão, Stefan Collignon. "O compromisso nos outros lados, incluindo em França, é evitar isso a todo o custo." Na sua edição de hoje, o Handelsblatt indica que Paris defende uma aplicação o mais abrangente possível dos novos instrumentos europeus no que respeita às ajudas ao sector financeiro: a compra de obrigações dos países sobreendividados, destinada a acalmar os mercados, e a entrega de fundos aos Estados para ajudar a recapitalizar o sector financeiro. Já o Governo de Ângela Merkel, que tem uma margem de manobra mais pequena devido ao grande poder do Parlamento, opõe-se ferozmente a este laissez faire, afirma o diário alemão. Merkel já tinha afirmado ontem, quarta-feira, que não “se podia hesitar” na recapitalização da banca europeia, para fazer face à crise da dívida. Mas sublinhou também que a utilização dos fundos europeus só se justificaria “se a estabilidade da zona euro estivesse ameaçada” e que os investidores podem ver-se obrigados a sofrer perdas maiores no pacote de ajudas à Grécia. A chanceler considera também que a França tem recursos suficientes para refinanciar os bancos de forma privada, diz o Handelsblatt. "A cooperação franco-alemã não tem trabalhado bem em termos de resolver a crise", disse à Blooberg um professor de Economia da Universidade Católica de Lovaina na Bélgica, Paul de Grawe, entrevistado pela Bloomberg. "Os dois têm objectivos muito diferentes." O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, que está de saída da instituição, apelou ontem aos bancos para utilizarem meios alternativos antes de recorrerem à ajuda pública: os próprios rendimentos, praticando moderação salarial e colocarem novas acções em bolsa, por exemplo. O nervosismo tem vindo a aumentar nas últimas semanas. Os comentários preocupados do Fundo Monetário Internacional sobre os níveis de capital dos bancos está a provocar receios em França sobre a eventual necessidade de intervenção do Governo para ajudar o sector. O banco franco-belga Dexia deverá ser a primeira vítima da crise." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 21:43






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