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A direita e a questão turca

Sábado, 21.08.10

[Palma de Maiorca] Pergunta-me um amigo espanhol, em jeito de provocação, o que pensa a direita portuguesa sobre a adesão da Turquia à UE. Resisto à tentação de responder que não pensa nada e, maturando a resposta, retorqui que pensa três coisas diferentes. A direita soberanista e eurocéptica, defensora duma «outra» UE nunca integralmente explicada, é favorável à adesão da Turquia. Filia-se, nos seus pressupostos, no conservadorismo britânico e nessa medida sabe que com a Turquia na União esta nunca aprofundará as suas políticas, nomeadamente exterior e de segurança, e estará condenada a regredir para uma zona de livre comércio com mais uma ou outra liberdade associada. A direita nacio­nalista, xenófoba e pouco frequentável, rejeita tal adesão. Vê na UE um clube cristão e no muçulmano um adversário – quando não um inimigo – a abater. Não quer misturas étnicas nem quaisquer convivên­cias. Pelos maus motivos, é contrária à adesão. A «outra» direita, a «minha» direita, apoia-se nos ensi­namentos de Adriano Moreira – que distingue os conceitos de «aliança» e de «união», reconhece necessidade de enquadrar geopoliticamente a Turquia, de não a deixar à mercê dos fundamentalismos islâmicos, mas conclui que serão mais as desvantagens do que as vantagens na adesão à UE. Por isso, prefere um forte e sustentável estatuto de associação a uma má e problemática adesão. Não é, conve­nhamos, um panorama ideologicamente animador. Mas o debate, apesar de décadas de existência, é transversal e divide os diferentes campos políticos e as diferentes ideologias.

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publicado por Joao Pedro Dias às 03:05