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A União Europeia está a morrer

Sábado, 04.09.10

O Washington Post dá relevo a um texto de Charles Kupchan intitulado “A União Europeia está a morrer”. Como explica o autor, a morrer não de morte súbita ou violenta, mas de morte tão lenta e certa que um destes dias vamos olhar por cima do Atlântico e perceber que o projecto de integração europeia que demos como garantido já não existe. O declínio da Europa, em parte, é  económico. A crise financeira afectou drasticamente muitos Estados-membros da UE e as dívidas nacionais elevadas e uma saúde incerta dos bancos do continente são sinal de mais problemas. Mas estas aflições ficam atenuadas em comparação com um mal maior: de Londres a Varsóvia, passando por Berlim, a Europa atravessa um período de renacionalização da vida política, com os países a recuperar a soberania que um dia não se importaram de sacrificar em prol de um ideal comum. Às vezes é preciso afastarmo-nos da floresta para vermos correctamente as árvores que a integram. Não raro a distância dá-nos um discernimento que a proximidade nos retira. Neste caso, o diagnóstico de Kupchan não se afasta muito da realidade. E isso é negativo e deve preocupar os europeus. O problema maior, porém, não será esse – o problema maior é que o diagnóstico de Kupchan coincide com o que, estratégica e historicamente, é o desejo da administração norte-americana. Desta e das anteriores. Para os EUA, quanto menos União Europeia e quanto mais bilateralidade existirem, melhor. Também esse é um dado de facto com que a Europa da União tem de saber lidar.

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:36