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A cimeira cigana

Quinta-feira, 16.09.10

É incontornável que a repetição e a rotina retiram importância às coisas. Nas coisas da Europa acontece o mesmo – e a repetição das cimeiras do Conselho Europeu faz com que as mesmas percam a relevância e importância que outrora lhes foi atribuída. E quando assim é, acabam por ser temas e assuntos laterais a marcar a respectiva agenda mediática. A que hoje reuniu em Bruxelas, fazendo fé na comunicação social, à falta de outros de relevo, arrisca-se a ficar marcada pela questão dos ciganos e pela confrontação verbal entre o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o Presidente Sarkozy. Em clima de crise profunda por toda a Europa, temos de convir que é pouco. Quando se esperariam respostas concretas dos líderes europeus para os problemas igualmente concretos que afectam os cidadãos, seria por demais lamentável que esta viesse a ficar para a posteridade como a cimeira cigana. Decerto – no final Angela Merkel disse ter deixado uma mensagem clara aos chefes de Governo dos 27: “Primeiro, a Alemanha não vai apoiar uma extensão das actuais ajudas aos países em dificuldades. Segundo, temos de trabalhar arduamente para definir as sanções e as lições a tirar desta crise” – disse, aludindo à vontade germânica de serem contempladas novas sanções para os Estados infractores. Mas nem estas são boas notícias para a causa europeia.

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:38