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O desaparecimento do espírito europeu

Sexta-feira, 17.09.10

O desaparecimento do espírito europeu é o tom de fundo do principal artigo do Süddeutsche Zeitung no dia seguinte a mais uma cimeira do Conselho Europeu – a cimeira onde, sem convite, acabaram por participar e ser protagonistas os ciganos expulsos de França. E o quotidiano alemão associa este desaparecimento do espírito europeu ao reforço do populismo e dos nacionalismos, não sem também deixar de reconhecer duas evidências: por um lado, Angela Merkel mostrou, durante a crise grega, que "não é um Helmut Kohl"; e, por outro lado, Merkel e Sarkozy já não impulsionam a Europa e dão mostras de querer "apoiar sentimentos nacionais". O que leva o articulista a concluir, com clarividência, que não encontramos hoje na Europa "nenhum dirigente que avance corajosamente à margem dos interesses nacionais". E este é o drama da Europa da União nos nossos dias – a falta de visão e empenhamento no projecto europeu por parte dos líderes da União, que conduz inelutavelmente ao renascimento e reforço das posturas de acentuado cariz nacional e individualista. O que quer dizer que enquanto esta geração de lideranças europeias se mantiver no poder, dificilmente poderemos assistir a significativos avanços e aprofundamentos do projecto europeu. A menos que as circunstâncias de crise se encarreguem de corrigir o rumo.

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:31