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Portugal opõe-se à suspensão de voto nas instituições europeias

Segunda-feira, 25.10.10

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros é, já aqui se disse, um dos poucos bons Ministros que este governo tem e, sobretudo, um referencial de credibilidade e respeitabilidade – tudo aquilo o que falta ao seu chefe de governo. Hoje, à entrada para uma reunião do Conselho da União Europeia, Luís Amado verbalizou o óbvio: Portugal opõe-se à proposta franco-alemã de suspensão do direito de voto nas instituições europeias dos países que não cumprem os valores do défice orçamental; mas, num exercício de ponderação e bom-senso, apoiou o reforço das sanções económicas e financeiras contra esses Estados – na esteira do que foi sustentado pela Comissão Europeia e por um grupo de trabalho liderado pelo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, que avançaram com propostas no sentido da criação de um sistema em que os países com elevados défices tenham de depositar elevadas somas, podendo perder os juros associados caso não corrijam rapidamente a situação de desequilíbrio das suas contas nacionais. A proposta apresentada pela Alemanha e pela França, por seu turno, leva subjacente a abertura de um novo processo de revisão dos tratados europeus. A tal «caixa de Pandora» que, uma vez aberta, será impossível saber o que de lá sairá,  enredando a Europa da União em mais uma interminável discussão institucional. No fundo, tudo aquilo que a Europa dispensa nos dias e tempos de crise que atravessa, em que o que se reclama à União Europeia e às suas instituições são políticas activas e aprofundadas em prol dos cidadãos europeus e da Europa.

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:36