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O desnorte e a falta de rumo

Quinta-feira, 20.10.11

Em semana de Cimeira de Conselho Europeu, a Europa da União dá sinais de desunião e de desnorte, falta de rumo e liderança como até ao momento nunca havia dado. Se Merkel se apressou a pôr água na fervura das expectativas anunciando que nada de especial se deverá esperar do encontro do chefes de Estado e de Governo, Sarkozy demorou menos de 24 horas a retorquir que a crise europeia e das dívidas soberanas estará resolvida dentro de 10 dias. O directório europeu, esse eixo franco-alemão ou directório de facto que, sem mandato nem legitimidade, teima em determinar o rumo e os destinos da Europa da União, tornando os demais chefes de Estado e de governo, que integram o Conselho Europeu, bem como as próprias instituições comunitárias, numa espécie de reféns cativos do decidido em Paris e em Berlim. começou a evidenciar as suas mais profundas divergências e divisões em torno de alguns dos aspectos fundamentais que estarão em cima da mesa da Cimeira europeia. Essas divisões e divergências atingiram hoje o seu ponto mais relevante com a sucessão de notícias cruzadas e contraditórias que chegaram ao ponto de questionar a realização da própria Cimeira; de levar a chanceler a anular a comunicação agendada para amanhã no Bundestag sobre assuntos europeus; ou de detalhar as diferentes visões sobre o que deve ser o futuro do FEEF. E tudo culminou na decisão bizarra e completamente original tomada pelo directório desunido de convocar para a próxima semana nova cimeira dos chefes de Estado e de governo da zona euro quando ainda não se realizou o encontro do próximo domingo. Se se pretendesse esvaziar em absoluto a importância desta próxima Cimeira, seria difícil congeminar ou conceber estratégia mais perfeita do que convocar a Cimeira seguinte antes da realização da Cimeira que se segue. Daí que possamos afirmar, sem receio de grande contradita, que este é um dos momentos mais críticos da história do projecto europeu que já leva sessenta anos de existência. Não é só pela existência do directório sem mandato que se dá ao luxo e se permite decidir em nome da própria União, tornando o Conselho Europeu - órgão supremo de condução política da União - refém das suas próprias decisões, pouca margem tendo que não para ratificar o que foi decidido em incontáveis encontros bilaterais realizados em Paris ou em Berlim. É, também, para além disso, o constatar da divergência e do desencontro dentro desse directório que deixa a União e as suas instituições à beira dum ataque de nervos e os mercados internacionais a percepcionarem as graves clivagens que emergem do prjecto europeu. Foram estas reflexões que, por gentileza da TSF, foram hoje partilhadas e que podem ser escutadas de forma sintética aqui.

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:19

Cimeira europeia de crise será seguida de outra até quarta-feira

Quinta-feira, 20.10.11

"A França e a Alemanha reconheceram que não serão tomadas grandes decisões durante a cimeira de líderes do euro do próximo domingo, prevendo desde já um novo encontro dos 17 na quarta-feira para concluir a prometida resposta global à crise da dívida soberana. Segundo um comunicado emitido há pouco pelo gabinete do presidente da República Francesa, Nicolas Sarkozy, "a França e a Alemanha acordaram em que o conjunto dos elementos [da] resposta global e ambiciosa será examinada de forma aprofundada durante a cimeira de domingo para poder ser definitivamente adoptada pelos chefes de Estado ou de Governo durante um segundo encontro o mais tardar na quarta-feira". O anúncio traduz os profundos desentendimentos que ainda separam os dois países sobre os diferentes elementos da resposta à crise". [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 19:00

Falhou acordo franco-alemão para estabilizar a zona euro

Quinta-feira, 20.10.11

"A cimeira informal de líderes europeus que decorreu ontem em Frankfurt (Alemanha) não conseguiu que a Alemanha e a França chegassem a um acordo sobre a forma de aumentar o poder de resposta do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Fontes do Governo germânico disseram em Berlim que serviu para debater “questões em aberto relacionadas com a estabilização da Zona Euro”. Além disso, estabeleceu-se o calendário de tarefas relacionadas com as cimeiras da União Europeia e da zona euro marcadas para domingo, em Bruxelas, adiantaram as mesmas fontes, sem acrescentar pormenores. No entanto, não foi alcançado o tão pretendido acordo franco-alemão sobre a forma de aumentar a capacidade financeira do FEEF, que tem como missão resgatar países da zona euro em dificuldades para se financiarem nos mercados. A agência Reuters relata que os líderes francês e alemão deixaram a reunião de Frankfurt sem falar aos jornalistas que se encontravam no local e que, quando questionado sobre se tinha havido um acordo, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, respondeu que “ainda haverá reuniões sábado e domingo”. Segundo responsáveis alemães e franceses, antes do encontro informal, à margem da despedida do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, estava sobretudo em causa uma eventual solução para apetrechar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) com meios que lhe permitam financiar grandes economias da moeda única, como a Espanha e a Itália, se for necessário. Até agora, o FEEF, que tem um volume operativo de 440 mil milhões de euros, concedeu empréstimos à Irlanda de 85 mil milhões de euros e a Portugal de 78 mil milhões de euros. Além disso, foi já aprovado um novo resgate de 109 mil milhões de euros à Grécia, mas se grandes economias, como as de Itália ou Espanha, também precisarem de ajuda, as verbas do fundo não serão suficientes, como já advertiram vários economistas. Paris e Berlim apostam, no entanto, em diferentes modelos para municiar o FEEF." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 10:48