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"Zona euro está a dar uma imagem desastrosa" - Jean-Claude Junker

Sexta-feira, 21.10.11

"O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse hoje que a zona euro está a dar uma "imagem desastrosa" para o exterior, devido às dificuldades em encontrar uma solução para a crise da dívida soberana da Europa. "O impacto no exterior é desastroso porque não estamos a dar um bom exemplo de liderança", assinalou Juncker em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo, que reúne os ministros das finanças da zona euro, entre os quais Vítor Gaspar, que escusou-se a prestar declarações aos jornalistas à chegada. A tradicional conferência de imprensa do presidente do Eurogrupo, prevista para o final da reunião, foi entretanto cancelada. À entrada da reunião, Juncker sublinhou ainda que não têm de ser necessariamente a França e a Alemanha a impulsionar, mediante a resolução das suas divergências, a melhor forma de combater a crise, sustentando que as decisões devem ser tomadas pelos 17 países da Zona Euro. A reunião de hoje dos 17 titulares das pastas das finanças marca o arranque de uma verdadeira "roda viva" de reuniões e cimeiras que terão lugar ao longo dos próximos dias em Bruxelas, nas quais a Europa vai tentar acordar finalmente uma resposta convincente para os mercados e que ponha um travão na espiral da crise da dívida soberana. Num encontro que se prevê longo -- teve início às 14h locais (13h de Lisboa) e, segundo o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, deverá terminar perto da meia-noite -, os 17 vão discutir hoje o desembolso da sexta tranche de ajuda à Grécia, com base numa apreciação do relatório da missão da troika que regressou recentemente de Atenas." [Fonte]

 

Do meio da mediocridade geral que nos governa, é ainda a voz de Jean-Claude Junker, Primeiro-Ministro do Luxemburgo, uma das poucas - talvez mesmo a única - que emerge como referencial de ponderação, equilíbrio e moderação. É o que sobre e resta da geração de ontem que parece ter sido a última a dar corpo e vida ao sonho e ao projecto europeu. Não é de estranhar - como decano dos líderes europeus em funções, ainda lhe foi dado conviver e coincidir com os últimos fautores do ideal europeu, chamassem-se eles Helmut Kohl, François Mitterrand, Jacques Delors, outros mais. Mas também pode servir de exemplo noutro plano - demonstrando à saciedade que, mesmo dum micro-Estado europeu, podem emergir vozes autorizadas, europeístas, credíveis e escutadas. Quer PPC quer PP podem ter em Junker um exemplo a seguir e um modelo a observar. Mostrando que uma situação económica difícil não pode nem deve diminuir a capacidade política de um Estado se exprimir e expressar no quadro das instituições comuns.

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publicado por Joao Pedro Dias às 22:41