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Saudades de Kohl - by José Cutileiro

Terça-feira, 31.01.12
"Tip O’Neill presidiu à Câmara dos Representantes em Washington de 1977 a 1987 e dizia: All politics is local politics – toda a política é política local. Como bom americano estava a pensar em política interna: tudo o que se resolvesse em Washington, os compromissos precisos para chegar às grandes decisões nacionais exigiam satisfação de pequenos caprichos das parvónias de uns ou doutros. De resto, quem entrar no Congresso dos Estados Unidos poderá ver carradas de visitantes – homens, mulheres, crianças – vestidos com à-vontade transatlântico, procurando encontrar o seu Senador ou o seu Representante, olhando para a História nos retratos das paredes, bebendo coca- -cola, falando e rindo alto e bom som. O Congresso é deles.

O aforismo aplica-se a política internacional mas de maneira diferente. A política interna determina a política externa. Quando um país for forte, a sua própria política interna; quando não o for – e é essa a diferença – a política interna de países que o sejam. 

Nos dias inglórios da chamada aventura europeia que vivemos de há dois anos para cá, as medidas de rigor tomadas por Conselhos Europeus, isto é, por acordos internacionais a 27 que nos estão a afundar na recessão económica em vez de nos ajudarem a sair do buraco, têm sido ditadas por razões de política interna. Não das políticas internas dos 27 membros da União, mas de política interna alemã. Nas frequentes eleições estaduais da República Federal, os partidos que apoiam Angela Merkel têm perdido sempre, desde a eleição nacional que a levou ao poder. A Senhora faz o que pode para tentar recuperar votos – até passou, de um dia para o outro, a condenar centrais nucleares na produção de electricidade que sempre defendera –, afirma seguir a vontade do povo quando faz impor austeridade punitiva às gentes do Sul e diz que não a medidas que aliviariam esta (intervenção do Banco Central Europeu; obrigações europeias; maior fundo de emergência europeu). A oposição social-democrata que espera voltar ao poder em 2013 é contra essa austeridade e preferiria medidas que fomentassem crescimento. 

Assim, uma razão de política interna alemã – a convicção da Chanceler de que a maioria dos alemães não quer gastar mais um euro a ajudar outros europeus e a vontade dela de lhes agradar – foi ditando decisões da União cada vez mais custosas e funestas. 

Depois de 2 anos de crise, outros dirigentes europeus estão menos mesmerizados pela Berlim de Angela Merkel e acordam de uma espécie de sonambulismo; ameaças de Pax Germanica alarmam toda a gente (até os finlandeses); políticas internas de cada um reclamam direito de cidade – o afundamento económico da Europa que a curteza de vistas da Senhora ajudou a cavar talvez seja evitável.

A crise desencadeada quando Papandreu veio dizer que a Grécia tinha viciado as contas poderia ter sido a oportunidade da Alemanha se redimir de vez. Faltou a grandeza de um Kohl e vai levar muito tempo tornar a pôr a Europa no são." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:45

Angela Merkel ultrapassa os limites

Terça-feira, 31.01.12

“A mulher que caminhava no frio.” A expressão do Süddeutsche Zeitung resume a receção, no mínimo, fresca do desempenho de Angela Merkel no Conselho Europeu do dia 30 de janeiro. De facto, a chanceler conseguiu impor em apenas dois meses, e praticamente sozinha, o pacto fiscal aos seus parceiros europeus, mas passou a ficar com “a imagem da malvada comissária da austeridade”, observa o Spiegel Online, e “suscita na Europa o medo de um domínio estrangeiro”. A culpa é da proposta de enviar um comissário do orçamento para Atenas para obrigar os gregos a controlar as suas contas. “Veneno político”, considera o Spiegel, “a confissão de um fracasso”, acrescenta o Tagesspiegel, que compreende totalmente que em Atenas as comparações com um “Gauleiter” da época nazi tenham vindo a aumentar cada vez mais: Se ao menos se tratasse apenas de uma falta de sensibilidade histórica, com a qual os alemães pressionam os gregos, poderíamos remediá-la com um pouco de habilidade diplomática. Mas não é este o caso. A proposta mostra que a comunidade monetária deixou claramente de ser desejada. Neste momento, trata-se do rico contra o pobre, do forte contra o fraco. […] Os gregos já têm a troika (FMI, UE e BCE), não precisam de um interveniente suplementar que refaça as suas contas num quadro. A nova tranche de ajuda que está atualmente a ser discutida deverá criar um equilíbrio entre as reformas e o crescimento. Para tal, é preciso muito dinheiro, tempo e – sim – também é precisa confiança". [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:03

Polónia não está 100% satisfeita

Terça-feira, 31.01.12

“Cimeiras europeias com a Polónia e sem a Polónia”, titula o Gazeta Wyborcza a propósito do compromisso conseguido a 30 de janeiro na cimeira da UE, que autoriza a participação da Polónia apenas nas reuniões da zona euro destinadas a “aplicar o pacto fiscal e as reformas da zona euro”. O Primeiro-Ministro polaco, Donald Tusk, sublinha que não está “100% satisfeito com este compromisso”, mas que, ainda assim, a Polónia irá assinar este pacto. O Dziennik Gazeta Prawna traça um retrato negro da cimeira realizada esta semana e chega às seguintes conclusões: Em primeiro lugar, a Europa desfez-se. O pacto fiscal é o ato fundador da nova UE, na qual os países fora do euro passam a ser membros de segunda categoria. Em segundo lugar, cria uma oportunidade excelente para pôr fim ao mito de que nós [a Polónia] andamos atrelados à Alemanha a aproveitar os benefícios. A Alemanha não vai sacrificar a cooperação com a França por causa do discurso do ministro dos Negócios Estrangeiros Sikorski, em Berlim, a pedir mais liderança da Alemanha. Em terceiro lugar, felicitamos a França e a Alemanha por terem liderado uma política eficaz com objetivos nacionais claramente definidos. Nós [a Polónia] limitamo-nos a improvisar". [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:00

Praga opta por ficar à porta

Terça-feira, 31.01.12

“Nem sim, nem não. República Checa isolada na UE”, constata o Hospodářské noviny no dia seguinte à adoção do pacto orçamental pelo Conselho Europeu. Praga foi a única, juntamente com o Reino Unido, que se recusou a assinar o pacto de responsabilidade orçamental adotado pelos outros 25 Estados-membros da UE. “Este tratado não traz qualquer benefício político e não permite a todos os países uma participação igual nas cimeiras europeias”, justificou o Primeiro-Ministro Petr Nečas, que terá de contar também com a oposição do presidente Václav Klaus a qualquer integração suplementar. Para este diário, a cimeira de Bruxelas não divide a Europa, mas pode ser vista como sendo um acontecimento que realça “diferentes pontos de vista sobre a integração, onde toda a gente pode escolher o seu lugar”. Neste quadro, a República Checa não se quis sentar à mesa, nem ficar na sala de espera […]. Preferiu ficar ‘à escuta’ numa sala minúscula, de onde é difícil influenciar o que se passa na Europa". [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 11:40






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