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Alemanha fecha a torneira

Quarta-feira, 29.09.10

Angela Merkel declarou que a Alemanha rejeitará alargar além de 2013 o fundo europeu de emergência, destinado a apoiar os Estados-Membros da UE que se encontrem mais endividados – o que, em termos objectivos, poderá vir a pôr em causa a manutenção do referido fundo. Continuando a ser um dos principais contribuintes líquidos da UE, Berlim entende não dever continuar a suportar o despesismo de Estados que violam as regras do pacto de estabilidade e crescimento a que se obrigaram aquando da criação da união económica e monetária. E o anúncio surge na altura em que os Ministros das Finanças acordaram em aplicar sanções económicas mais fortes aos Estados incumpridores. Do estrito ponto de vista alemão, a uma luz estritamente nacional, a medida anunciada percebe-se e justifica-se; do ponto de vista europeu é uma vez mais a prevalência do interesse nacional sobre o interesse europeu, é mais uma quebra na solidariedade europeia e nos valores que lhe estão subjacentes. Algo, de resto, em que o governo da senhora Merkel é reincidente, fazendo-nos recordar com acrescida saudade os tempos do chanceler Helmut Kohl – a quem o projecto europeu um dia haverá de prestar a justa homenagem a que tem direito, apesar do Conselho Europeu lhe haver já atribuído o título de “Cidadão Honorário da Europa”.

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:43