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Primeiro-ministro italiano ataca o eixo franco-alemão

Quarta-feira, 11.01.12
Numa entrevista ao jornal Die Welt, Mário Monti diz que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy cometem um erro grave se pensam que podem dirigir a União Europeia sozinhos. O primeiro-ministro italiano reclamou um maior protagonismo da Itália e de outros Estados no debate sobre a crise da dívida, defendendo que a União Europeia não pode ser dirigida apenas pela Alemanha e a França. Lentamente, um a um, os líderes desta Europa que temos, que ainda vai sendo chamada de União pese embora esteja cada vez mais desunida, vão reagindo e vão criticando o duopólio que tem pretensões a exercer a governança europeia, sem para o efeito estar dotado de qualquer mandato ou legitimidade que não a (aparente) força das suas economias. É, também, aqui, uma hierarquia (nova) de poderes que se vai estabelecendo, com a diferença (relativamente a hierarquias precedentes) que esses poderes já não são aferidos pela capacidade bélica mas por critérios económicos. O que há de novo aqui, e que não deixa de ser curioso, é que essas críticas começam a ouvir-se dos próprios vassalos que os suseranos dos tempos modernos colocaram à cabeça dos Estados, um pouco à semelhança do que acontecia com os senhores feudais de antanho, passando por cima da voz e da vontade daquele que se continua a afirmar como o soberano supremo, essa entidade cada vez mais difusa e difícil de definir chamada «povo». Parece que a última manifestação do facto vem de Itália, através da voz de Mário Monti, o Primeiro-Ministro escolhido por Mercozy para governar aqueles territórios. Bem-vindo seja, pois, ao clube! 

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:06

Cameron disposto a vetar taxa europeia sobre transações financeiras

Domingo, 08.01.12

O primeiro-ministro britânico diz-se disposto a vetar qualquer tentativa para aplicar um imposto nas transações financeiras na União Europeia. David Cameron acredita que impor um imposto desse tipo no espaço comunitário sem que isso seja feito noutras partes do Mundo pode prejudicar o mercado laboral e a prosperidade da Europa. Cameron defende que “a ideia de uma nova taxa europeia, que não é aplicada noutros locais, é desaconselhável” e garante que irá “bloquear” a iniciativa, “exceto se o resto do Mundo concordar ao mesmo tempo nalgum tipo de imposto global”. Grande promotora da chamada taxa “Tobin” – idealizada pelo Nobel da Economia James Tobin -, a França mostrou-se disposta a aplicá-la no país e pretende avançar com legislação para esse efeito antes das presidenciais de Abril. Quando propôs a taxa, na sexta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu que “quando compramos um apartamento em qualquer parte do Mundo, pagamos uma taxa; quando vamos ao supermercado, pagamos taxas; mas quando fazemos uma transação financeira, não pagamos taxa. Quem é que pode compreender uma regra destas?”. Sarkozy debaterá certamente a ideia com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim, no encontro desta segunda-feira que serve para preparar a cimeira de Bruxelas a 30 de Janeiro. Apesar da França se dizer disposta a avançar sozinha, a Alemanha e a Itália defendem uma taxa com aplicação em toda a União Europeia." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 19:02

Merkel e Sarkozy voltam às reuniões bilaterais na próxima semana

Segunda-feira, 02.01.12

A notícia parece já não espantar - se é que, em boa verdade, de notícia ainda se trata. A estes dois não há Ano Novo que lhes valha nem novo ano que lhes freie o desejo de moldarem a Europa à sua imagem e vontade. O problema é que, à semelhança do que já acontecia no Ano Velho, a falta de legitimação democrática para falarem e moldarem os destinos da Europa continua e persiste. Assumem um mandato que ninguém lhes conferiu e beneficiam do beneplácito da restante nomenclatura que se contenta se se compraz em ratificar o que o directório dos 2 decide e estabelece. É caso para dizer, em matéria europeia, Ano Novo, vida e vícios velhos.

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publicado por Joao Pedro Dias às 18:42

À França os seus agricultores, ao Reino Unido os seus bancos

Sexta-feira, 16.12.11

"Acusado de isolacionismo por causa da sua posição clara na cimeira da UE de 9 de dezembro, sobre o crescimento e o pacto de estabilidade, David Cameron está apenas a proteger, tal como outros líderes europeus, os interesses vitais do seu país, escreve uma colunista britânica. As acusações de “isolamento” feitasa David Cameron desde que, no Conselho Europeu de sexta-feira, desafiou os seus parceiros europeus, podem ser prematuras. Os checos também já perguntam, alto e bom som, porque é que um novo tratado tem de ser vinculativo para países que ainda nem sequer aderiram ao euro. O primeiro-ministro finlandês avisou que não concorda com a transferência de soberania. A Irlanda, muito provavelmente, terá de realizar um referendo. Os governos holandês e sueco precisam do apoio dos partidos da oposição que se mostram rebeldes.  Estão a aparecer fendas num acordo que, de qualquer maneira, não vai salvar o continente. A queda do euro, nos últimos três dias, prova que os mercados sabem que a receita alemã de austeridade sem crescimento não é a solução. Defender os banqueiros nunca seria uma posição popular – apesar da opinião pública britânica mostrar que veementemente que odeia mais a UE do que os bancos. Então, porque é que Cameron decidiu entrar na batalha pela City? Nas informações que recebeu na semana passada era evidente a profunda mudança de atitude da UE, nos últimos anos, em relação à City. Até 2007 a regulamentação da UE trabalhou, em grande parte, a favor de Londres, criando condições equitativas nos serviços financeiros. Depois, as coisas começaram a mudar. As preocupações legítimas com a crise financeira, articularam-se convenientemente com o ressentimento contra a proeminência de Londres, expresso na alegria com que Nicolas Sarkozy classificou a nomeação de um francês como comissário do Mercado Interno como “uma derrota para o capitalismo anglo-saxónico”.  

Tamanho único para todos

A questão não é a taxa sobre transações financeiras, em relação à qual o Reino Unido mantém o seu veto. Mas sim as 29 diretivas que estão em cima da mesa da UEe o novoregulador financeiro da UE que supervisiona todos os países. É o choque fundamental entre o desejo da UE que quer impor uma regra do género “tamanho-único-que-serve-a-toda-a-gente” aos oito mil bancos da Europa e a visão anglo-americana segundo a qual a ação deve ser adaptada ao risco. O reino Unido quer obrigar os maiores bancos a manterem mais capital do que a UE permite. A mais recente imposição da UE defende que as câmaras de compensação que usam euros nas suas transações devem estar localizadas dentro da zona euro. É uma tentativa flagrante para transferir os negócios de Londres para Paris e para Frankfurt – e um flagrante ataque ao mercado único. Acusar Cameron de tentar minar o mercado único, tal como o fez esta semana o presidente da Comissão Europeia, é uma vergonhosa distorção dos factos. Os espanhóis vetam nas pescas; os franceses vetam na Política Agrícola Comum; e até os alemães exercem algum bloqueio para defenderem a sua indústria automóvel. Na noite de quinta-feira, o governo britânico defendeu, simplesmente, igualdade de tratamento para a City e não um estatuto especial. Mas foi considerado excessivo: uma resposta extraordinária e uma demonstração drástica da perda de influência que o Reino Unido tem sofrido nos últimos anos. O que vai acontecer agora que o primeiro-ministro não conseguiu obter o que queria? Muitos observadores da City temem que Londres passe a ser cada vez mais discriminada com a regulamentação da UE e que os bancos norte-americanos e alemães, quando tiverem de fazer despedimentos, comecem por fazer esses cortes de pessoal em Londres. Outros, dizem que os bancos norte-americanos se instalam em Londres porque é um bom sítio para fazer negócios e que ninguém desocupa 60 andares de um prédio de escritórios com ligações digitais caras da noite para o dia. 

Uma porta para o mundo

O futuro da City está em ser uma porta para o mundo, não apenas para a Europa. O Reino Unido dá origem a mais empréstimos transfronteiriços do que qualquer outro país. O nosso mercado de câmbios é o maior do mundo, o nosso setor segurador é o terceiro maior do mundo. Enquanto o crescimento da Europa se evapora, a verdadeira concorrência a Londres está em Hong Kong e Singapura, não em Frankfurt ou em Paris e nem sequer em Nova Iorque. O grande desafio e agarrar esse negócio.  Independentemente da forma como se olha para este assunto, a diplomacia é horrível. O Reino Unido não quer causar problemas ao euro ou ser visto como tal. Os nossos parceiros estão a fazê-lo muito bem sozinhos, sem a nossa ajuda. Se o Banco Central Europeu, na semana passada, não tivesse atirado uma boia de salvação aos bancos da Europa, avançando-lhes crédito praticamente ilimitado, estaríamos agora a assistir a uma derrota em vez de uma oscilação dos mercados.  Na semana passada, ninguém conseguiu o que queria. Os franceses queriam que o BCE emitisse mais moeda. Os alemães queriam consagrar as novas regras de comportamento económico com toda a força das instituições da UE. Outros, incluindo o Reino Unido, queriam que a Alemanha percebesse que, enquanto não aceitar a sua responsabilidade na crise da zona euro, a moeda continuará em derrocada." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 03:25

David Cameron défend au Parlement son refus d'un nouveau traité

Segunda-feira, 12.12.11

"Nous sommes dans l'Union européenne et nous voulons y ." Lundi 12 décembre, le premier ministre britannique, David Cameron, a réaffirmé la volonté de la Grande-Bretagne de rester membre à part entière de l'UE, tout en défendant, devant le Parlement de Londres, sa décision de rester à l'écart de la réforme des institutions européennes. Une séance particulièrement mouvementée, où l'opposition travailliste, menée par Ed Miliband, n'a cessé de mettre en garde contre un "isolement" de la Grande-Bretagne face au reste de l'Union européenne. Le travailliste a jugé que le veto de David Cameron était "mauvais pour les affaires, mauvais pour l'emploi et mauvais pour la Grande-Bretagne". Il a dénoncé "le désastre diplomatique de 26 pays allant de l'avant et un pays restant en arrière".

 

NICK CLEGG, GRAND ABSENT DU DÉBAT

 

Mais plus que les débats ou les justifications de Cameron, c'est l'absence du vice-premier ministre, Nick Clegg, qui a retenu toute l'attention. Le numéro deux du gouvernement et leader des libéraux-démocrates avait déjà pris ses distances ce week-end, après la décision de Cameron de ne pas s'engager dans le nouveau traité européen. Une position qui avait fait craindre pour l'équilibre de la coalition au pouvoir. Alors qu'il devait prendre la parole pendant cette séance cruciale, Nick Clegg a choisi de marquer de nouveau son désaccord, en ne se présentant pas sur les bancs de la chambre. L'opposition n'a pas manqué de le faire remarquer, à l'image de son représentant, Ed Miliband, qui a ainsi noté non sans ironie qu'il était difficile de convaincre le peuple "quand on ne peut pas convaincre son adjoint". "Où est Nick Clegg?", ont crié à plusieurs reprises les députés travaillistes, dans une séance au niveau sonore "particulièrement assourdissant", notait ainsi la BBC. Pour calmer le feu des critiques, Nick Clegg a cependant déclaré après la séance qu'il ne pensait pas que les gens "s'intéresseraient autant à qui siège à la Chambre des communes". "Le premier ministre et moi-même avons clairement des positions divergentes sur le sommet de la semaine dernière", cependant la coalition "est là pour rester [jusqu'en 2015]", a-t-il affirmé, balayant ainsi les rumeurs d'un éclatement du partenariat entre libéraux-démocrates et conservateurs.

 

OUVERT AU DIALOGUE

 

Malgré ces difficultés, David Cameron a de nouveau justifié sa décision. Il a ainsi expliqué qu'il s'était rendu à Bruxelles la semaine dernière avec l'espoir qu'un accord à vingt-sept y serait trouvé, mais qu'il était de son devoir de demander des garanties pour son pays. "L'appartenance du Royaume-Uni à l'Union européenne est vitale à notre intérêt national", a-t-il toutefois ajouté, précisant qu'il souhaitait le succès du nouvel accord en préparation pour la zone euro et qu'il accueillerait de manière constructive toute proposition de ses partenaires. Une position relativement confortable pour le premier ministre, qui bénéficie du soutien populaire. Selon un sondage publié lundi (lien payant) dans le Times, une majorité de Britanniques (57 %) estiment qu'il a eu raison. Même chez les électeurs du parti libéral-démocrate, près de la moitié (49 %) soutiennent le veto.

 

CAMERON ET SON "AMI" SARKOZY

 

Concernant les relations entre Londres et Paris, David Cameron a assuré qu'il restait "en extrêmement bons termes avec [son] ami Nicolas Sarkozy", malgré l'affrontement ayant conduit Londres à se dissocier de la réforme du traité européen adoptée par ses 26 partenaires. Le chef du gouvernement britannique a formulé sa déclaration d'amitié en prenant soin d'éluder la question d'un député qui lui demandait s'il allait désormais soutenir François Hollande, candidat socialiste donné favori par les sondages à cinq mois de l'élection présidentielle en France, et partisan d'une renégociation du nouveau traité européen. "Je me contenterai de dire une chose, c'est que le chef de l'opposition en France a eu le mérite de nous dire ce qu'il pensait" de l'accord, a encore déclaré M. Cameron, pour affirmer aussitôt qu'il en allait différemment de l'opposition travailliste britannique. Les médias britanniques ont assuré depuis samedi que le veto britannique avait provoqué une sérieuse dégradation de la relation Cameron-Sarkozy. Ils en veulent pour illustration une vidéo montrant le président paraissant "snober" le premier ministre qui lui tendait la main, à l'issue du clash bruxellois vendredi." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 20:14

François Hollande garante que vai renegociar o acordo alcançado em Bruxelas caso seja eleito

Segunda-feira, 12.12.11

"François Hollande, o candidato socialista às presidenciais francesas de 2012, anunciou esta segunda-feira que, caso seja eleito, vai “renegociar” o acordo sobre o projecto de tratado europeu alcançado sexta-feira em Bruxelas, “acrescentando-lhe o que faça falta”. Perante a questão da RTL - “Compromete-se com este acordo caso seja eleito para ocupar o Eliseu?” - o candidato respondeu: “Se eu for eleito Presidente da República renegociarei este acordo para lhe acrescentar aquilo que tem em falta hoje - eficiência nos mercados -, e espero que até lá as agências não baixem o rating de França, para o interesse do meu país”, disse. “Certificar-me-ei que nós acrescentaremos aquilo que faça falta, ou seja, a intervenção do BCE (Banco Central Europeu), os eurobonds e um fundo de socorro financeiro - ou seja, o que irá responder àquilo que é hoje a pressão dos mercados - e, finalmente, é preciso de haja crescimento”, precisou Hollande à rádio RTL. “Se eu for eleito Presidente da República farei votar com o Parlamento uma lei de programação das finanças públicas extremamente precisa sobre o regresso do equilíbrio das nossas contas até ao final de 2017. Farei este compromisso diante dos nossos parceiros europeus e diante dos franceses”, disse. Era já sabido, de resto, que o Partido Socialista francês rejeita de forma global este acordo forjado por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Segundo declarações de Manuel Valls - porta-voz do candidato socialista e grande favorito às eleições presidenciais de Maio - ao jornal espanhol “El País” o novo tratado “traz consigo medidas orçamentais mais duras e mais austeridade”. “Para além disso um tratado a 26 não existe”, acrescentou a mesma fonte. “A Europa esquece-se do crescimento e não fala do papel do BCE. Nós acreditamos que faz falta outra política”." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 10:01

Durão Barroso "É importante que acordo seja aprovado rapidamente"

Sexta-feira, 09.12.11

"O presidente da Comissão Europeia pede que o novo tratado intergovernamental para reforçar o euro seja aprovado rapidamente. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje que é "muito importante" que o novo tratado intergovernamental para reforçar o euro, hoje firmado em Bruxelas, seja aprovado rapidamente de modo a transmitir confiança aos mercados. "Já o disse antes mas mantenho a opinião: no amâgo deste assunto [crise económica] estão problemas de confiança", sustentou o presidente do executivo comunitário, no final do primeiro dia de trabalhos de uma nova Cimeira Europeia tida como decisiva para o futuro da moeda única. Pelo menos 23 países irão fazer parte de um novo tratado intergovernamental para reforçar o euro, anunciou hoje o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy. O presidente do Conselho sustentou que o referido tratado poderá entrar em vigor antes de uma alteração profunda dos Tratados da União Europeu. O reforço da disciplina orçamental na zona euro, nomeadamente por via de um maior equilíbrio dos seus orçamentos e da aplicação de sanções em casos de incumprimento dos objetivos, foi hoje acordado em Bruxelas. "Os orçamentos públicos devem ser equilibrados por natureza. Os Estados-membros podem incorrer em défices apenas tendo em conta o impacto orçamental do ciclo económico ou em circunstâncias excecionais", nota o projeto de conclusões do Conselho Europeu.


Reforço da disciplina orçamental. De acordo com o documento, o défice estrutural de um país não poderá ser superior a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nominal, aparte em Estados com uma dívida "significativamente abaixo" de 60% do PIB. Vários líderes europeus deram conta em Bruxelas de um acordo sobre as alterações aos tratados para reforçar a disciplina orçamental, que não colheu a unanimidade, mas abrangerá muito mais que os 17 membros da zona euro.O presidente francês, Nicolas Sarkozy, precisou que apenas Reino Unido e Hungria ficarão de fora, enquanto Suécia e República Checa terão de consultar os seus parlamentos. O "jantar de trabalho" que assinalou, na quinta-feira à noite, o arranque do Conselho Europeu, findou pelas 05h00 de sexta-feira (menos uma hora em Lisboa), tendo durado nove horas." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 10:45

Adeus querida soberania...

Quinta-feira, 08.12.11

"Se for aprovada pelos vinte e sete, a união fiscal proposta por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy será uma nova etapa decisiva para o federalismo europeu. Mas estarão todos dispostos a pagar o preço: a renúncia à autonomia orçamental dos Estados? O soberanismo está de luto na Europa. Para os próximos dias, prepara-se a maior cedência de soberania alguma vez levada a cabo pelas velhas nações europeias, desde os Tratados de Roma e de Maastricht. Com o primeiro destes tratados, em 1957, foi cedida a política aduaneira, lançando-se assim as bases do mercado único. Com o segundo, em 1992, desapareceram as moedas, até então símbolos nacionais ao mesmo título, pelo menos, que as bandeiras, e as políticas monetárias (que permitem a fixação das taxas de juro e de câmbio), lançando-se desta vez as bases da atual crise das dívidas soberanas. Com esta cimeira, pretende-se pedir aos velhos Estados que cedam a sua política orçamental, ou seja, a alma política do Estado nacional. No mundo globalizado, não há salvação para os associados da velha Europa, se cada um agir por sua conta. Não há sequer salvação para os países que jogam na primeira liga e que ganham todos os campeonatos, o Barça e o [Real] Madrid que são a Alemanha e a França.

O fim da soberania

Não se trata só ter existência no mundo, mas de sobreviver em condições aceitáveis, que não deteriorem o fantástico estilo de vida que os europeus tiveram nos últimos 30 anos. Não estão em jogo apenas os orgulhos nacionais, os assentos no G20 ou no Conselho de Segurança, isto é, o peso, a influência e a visibilidade dos europeus no mundo. Estão-no igualmente questões mais imediatas e tangíveis, que são nem mais nem menos do que o nosso bem-estar e as nossas formas de vida, que só podem ser preservados no quadro de uma União Europeia que funcione. A transferência de soberania dará lugar a uma união fiscal, mas esta será imperfeita, visto que se limita a uma união para a estabilidade orçamental e a austeridade na despesa e não será uma união de transferências, de solidariedade e de crescimento. Pelo menos para já. O método utilizado também não será o método comunitário, com protagonismo da Comissão, do Parlamento Europeu e do Tribunal Europeu, que identificamos mais diretamente com o federalismo e com o europeísmo. Será intergovernamental e não vai incluir todos os 27 membros. Uns porque não querem, como o Reino Unido; outros porque não sabem se querem, como a Dinamarca; e outros porque, embora queiram, ainda não se decidiram a dar tal passo, como a Polónia. São as duas potências europeias que – na sua condição de Estados soberanos ambiciosos e por vezes expansionistas – mais combateram uma contra a outra, de armas na mão em três ocasiões, que vão proceder a esta liquidação. Ninguém mais pode fazê-lo. É provável que só elas possam fazê-lo.

Europa sem europeísmo

E vão fazê-lo com o maior protagonismo de toda a história da unidade europeia, ainda que seja em detrimento da sua própria soberania. A França e a Alemanha têm sido o motor europeu desde a criação da União mas, agora, são muito mais que o motor: são o veículo. Ao ponto de o projeto que vão apresentar em Bruxelas ter sido pensado de modo a funcionar inclusive no caso extremo e improvável de apenas estes dois países estarem dispostos a pô-lo em marcha. Isso já não é um diretório europeu: é uma Europa franco-alemã, um federalismo de dois membros que convidam quem o desejar a juntar-se-lhes. E, se formos ao pormenor, veremos que essa simetria aparente esconde conceitos alemães e discurso francês, com a discrição de Merkel e a pompa e circunstância de Sarkozy. Voltamos assim ao ponto de partida anterior à criação da moeda única. O euro vai transformar-se no marco europeu, do mesmo modo que, dantes, todas as moedas europeias, incluindo o franco francês, se colavam ao marco alemão e o seguiam nas flutuações monetárias. E a Europa vai dividir-se em duas: os países do euro mais aqueles que ainda não fazem parte dela mas desejam vir a fazer um dia; e os países que não fazem parte nem se espera que venham a fazer, tal como quando, antes da adesão do Reino Unido, existia uma poderosa Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), alternativa às então protecionistas Comunidades Europeias. Em resumo: faremos uma Europa sem europeísmo ou um "federalismo sem federalistas". Mais uma vez, com a esperança bem europeia e sempre renovada de que, um dia, a função acabe por criar o órgão, ou seja, o europeísmo e o federalismo políticos cuja falta sentimos agora." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 22:58

Finlândia considera proposta franco-alemã inconstitucional

Quinta-feira, 08.12.11

"A comissão constitucional do Parlamento finlandês rejeitou, esta quinta-feira, por ser «inconstitucional» a proposta franco-alemã de recorrer ao voto por maioria para melhorar a eficácia dos mecanismos de estabilidade financeira. A comissão parlamentar, cujo parecer se impõe ao Governo, defendeu que é «essencial que os assuntos relacionados com os novos mecanismos de apoio sejam decididos por consenso», referindo-se ao mecanismo intergovernamental permanente europeu para a estabilidade, proposto na segunda-feira pelo presidente francês Nicolas Sarkozy e pela chanceler alemã Angela Merkel. Segundo a proposta franco-alemã, algumas decisões no quadro do mecanismo seriam tomadas com maioria qualificada de 85 por cento, como o modelo do Fundo Monetário Internacional (FMI) onde os direitos de voto são em função das contribuições." [Fonte]

 

E em quantos outros países a proposta será inconstitucional? No limite poderá estar reaberta a velha querela doutrinária - qual a posição do direito constitucional de cada país face ao direito comunitário? Infra-constitucional ou supra-constitucional. Quem perfilhe a tese da supremacia do direito comunitário, inclusivamente sobre o direito constitucional (de resto, a que melhor se compatibiliza com a própria lógica do sistema jurídico comunitário) não verá nenhum especial problema no facto de regras dos tratados europeus violarem normas constitucionais dos Estados-Membros, posto que estas se submetem àquelas....

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publicado por Joao Pedro Dias às 22:24

Vítor Gaspar: Conselho Europeu será "momento decisivo de renovação do euro"

Quarta-feira, 07.12.11

“O Conselho Europeu de quinta e sexta-feira será "um momento decisivo de renovação do euro", disse hoje na Assembleia da República o ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Numa audiência perante as comissões parlamentares dos Assuntos Europeus, do Orçamento e da Economia, Gaspar expôs as suas expectativas relativamente à cimeira dos líderes europeus desta semana, notando que o Governo "continua empenhado na construção de uma Europa estável e coesa, geradora de emprego e desenvolvimento sustentável". Gaspar frisou também a necessidade de haver "solidariedade entre Estados membros" na resposta à crise das dívidas soberanas.” [Fonte]

 

Vitor Gaspar pretende renovar o euro; Mercozy pretendem refundar a União Europeia. Parecem ambições em demasia para um Conselho Europeu único; sobretudo se levarmos em consideração o padrão médio do que tem sido decidido nas mais recentes cimeiras europeias.

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publicado por Joao Pedro Dias às 20:45