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Fórum Económico Mundial de Davos

Quarta-feira, 25.01.12

 

Começou hoje em Davos, na Suíça, mais uma edição do Fórum Económico Mundial, o encontro anual da elite política e económica global. "A Europa vai estar no centro do palco", anota o The Times. que considera que "em economia, não há questão mais premente e importante do que encontrar uma solução duradoura para a crise do euro". Esta é uma das novas sedes do poder político-económico de facto que gere e disciplina a sociedade internacional dos nossos dias. É da praxe e da ordem que cada época histórica concreta tenha a sua instituição ou entidade de referência, onde verdadeiramente se situa a sede do poder mundial. Entre as duas guerras foi a Sociedade das Nações que pretendeu desempenhar a função, só fracassando, entre outrasa razões, por os EUA a ela nunca terem aderido; após a segunda guerra mundial foi a Organização das Nações Unidas - o lugar, como repete Adriano Moreira, onde todos se encontram com todos - que desempenhou essa tarefa; após a queda do mudo de Berlim e o fim da guerra-fria e na sociedade internacional caracterizada pela desordem madura que nos é dado conhecer, com a crise do Estado soberano que também já é a crise do Estado nacional, a emergência dos novos poderes que ninguém elegeu, sufragou ou controla, e onde a democracia é conceito em vias de extinção, é em instituições como o G-20 ou este Fórum Económico Mundial que reúne anualmente em Davos, que está sedeado o verdadeiro poder económico e político do mundo. É lá que os líderes europeus que contam se encontram, que prestam contas do que fazem e do que não fazem, consertam e acertam estratégias, firmam dependências e assinam lealdades e ouvem os conselhos dos peritos em voga. Mas não é por isso que a sua legitimação se consuma ou a democraticidade se impõe.

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publicado por Joao Pedro Dias às 10:11

O referendo constitucional na Turquia

Domingo, 12.09.10

58% dos turcos aprovam, em referendo, alterações à Constituição que emergiu do golpe militar de 1980. É uma reforma necessária mas não suficiente para garantir a adesão do país à UE – necessária porque sem ela não haverá adesão; insuficiente porque por si só não garante a adesão. É uma reforma que abrange três domínios fundamentais: o poder judicial (com o Parlamento a poder nomear membros do Tribunal Constitucional e do Conselho Superior do Poder Judicial), as forças armadas (eliminando imunidades que beneficiavam os militares envolvidos no golpe de Estado de 1980, que passam a estar submetidos à justiça civil por crimes que violem a Constituição) e os direitos de algumas minorias (pese embora aqui permaneça muito caminho por fazer, nomeadamente no plano do reconhecimento dos direitos da minoria curda e dos direitos das mulheres). Apesar de preconizar um estatuto de associação reforçada a uma adesão problemática dos turcos, na esteira do que nos vez ensinando Adriano Moreira, há que reconhecer como cada vez mais urgente que a UE assuma uma política de verdade face à Turquia, pois não é tolerável que as instituições comuns continuem a expressar uma posição favorável a um alargamento que é frequentemente contrariada pelos líderes de alguns dos seus principais Estados – que se saiba, a França, a Alemanha e a própria Áustria. Impõem-se uma clarificação definitiva de posições, sob pena de podermos gerar na própria Turquia um indesejável sentimento anti-europeu, «ou dentro ou contra» a UE. Também foi este, em síntese, o sentido do comentário produzido aos microfones da TSF sobre o tema em análise.

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publicado por Joao Pedro Dias às 19:13

A direita e a questão turca

Sábado, 21.08.10

[Palma de Maiorca] Pergunta-me um amigo espanhol, em jeito de provocação, o que pensa a direita portuguesa sobre a adesão da Turquia à UE. Resisto à tentação de responder que não pensa nada e, maturando a resposta, retorqui que pensa três coisas diferentes. A direita soberanista e eurocéptica, defensora duma «outra» UE nunca integralmente explicada, é favorável à adesão da Turquia. Filia-se, nos seus pressupostos, no conservadorismo britânico e nessa medida sabe que com a Turquia na União esta nunca aprofundará as suas políticas, nomeadamente exterior e de segurança, e estará condenada a regredir para uma zona de livre comércio com mais uma ou outra liberdade associada. A direita nacio­nalista, xenófoba e pouco frequentável, rejeita tal adesão. Vê na UE um clube cristão e no muçulmano um adversário – quando não um inimigo – a abater. Não quer misturas étnicas nem quaisquer convivên­cias. Pelos maus motivos, é contrária à adesão. A «outra» direita, a «minha» direita, apoia-se nos ensi­namentos de Adriano Moreira – que distingue os conceitos de «aliança» e de «união», reconhece necessidade de enquadrar geopoliticamente a Turquia, de não a deixar à mercê dos fundamentalismos islâmicos, mas conclui que serão mais as desvantagens do que as vantagens na adesão à UE. Por isso, prefere um forte e sustentável estatuto de associação a uma má e problemática adesão. Não é, conve­nhamos, um panorama ideologicamente animador. Mas o debate, apesar de décadas de existência, é transversal e divide os diferentes campos políticos e as diferentes ideologias.

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publicado por Joao Pedro Dias às 03:05

Sobre a adesão da Turquia à UE

Terça-feira, 27.07.10

Como e óbvio, David Cameron, como britânico que se preze, defende a adesão da Turquia à UE porque sabe que essa adesão impedirá o aprofundamento político da UE, que ficará reduzida a um espaço económico de livre troca de produtos, acompanhado de liberdade de circulação de pessoas. Esse tem sido o grande sonho britânico! Limitar a UE a um espaço económico. Daí que não surpreenda - embora se lamente! - esta postura de David Cameron. Quem ambicionar uma UE dotada de personalidade jurídica e política, institucionalmente forte, interveniente num mundo multipolar cada vez mais dominado pelos grandes espaços, não pode subscrever teses que inviabilizem esse desiderato. Ampliar a UE à Turquia significa paralizá-la politica e institucionalmente. Além de chamar à vizinhança países pouco recomendáveis. Para evitar deixar a Turquia «à solta» e à mercê dos fundamentalismos muçulmanos, tem toda a pertinência a tese de Adriano Moreira que prefere uma parceria reforçada a uma adesão complicada.

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publicado por Joao Pedro Dias às 02:57






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