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A União Europeia no seu pior

Quarta-feira, 23.03.11

As modalidades do reforço do fundo de socorro do euro (EFSF) já não estarão em cima da mesa do Conselho Europeu de amanhã e só vão ser definidas pelos líderes europeus em Junho devido às dificuldades políticas e eleitorais de alguns países, nomeadamente a Finlândia mas também agora Portugal, que os impedem de assumir compromissos esperados até essa data. Estamos aqui perante a União Europeia no seu pior. A pretexto ou disto ou daquilo, as decisões importantes não se tomam, adiam-se. Eis, portanto, como um Conselho Europeu tido como um dos mais importantes dos últimos tempos, corre o risco de se transformar numa irrelevância política, face à magnitude dos problemas políticos a resolver e a mais uns quantos adiamentos já garantidos.

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:44

A Cimeira dos 17

Sexta-feira, 11.03.11

Moderação salarial, indexação da idade da reforma à esperança média de vida e desenvolvimento de uma base fiscal para as empresas: parecem ser estes os eixos principais do “Pacto pelo euro” acordado na primeira Cimeira da UE que se limitou a reunir hoje em Bruxelas os líderes dos 17 da zona euro, para reforçar a competitividade europeia. Descontando o facto de as deliberações terem sido tomadas num quadro institucional inexistente ou irregular (em nenhum lugar dos Tratados se prevêem Cimeiras restritas aos Estados que partilhem uma dada política, neste caso o euro) e por isso necessitarem de uma confirmação a 27 na próxima Cimeira do Conselho Europeu do final deste mês, parece ser pouco, muito pouco, o resultado alcançado. Sobretudo insuficiente para aplacar a voragem dos mercados que são os credores dos Estados endividados da União. Pode ter sido mais uma oportunidade perdida - e estas vão-se somando a ritmo avassalador. A necessária flexibilidade do fundo europeu de estabilização financeira parece, uma vez mais, adiada. A benefício da Alemanha, por teimosia de Merkel e em prejuízo da Europa. A pergunta que se impõe é só uma - até quando resistirá o que resta da Europa da União aos tiros nos seus próprios pés que os seus dirigentes se vão entretendo em dar-lhe?

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publicado por Joao Pedro Dias às 04:36

Acordo sobre o fundo de estabilidade financeira

Terça-feira, 15.02.11

Anuncia-se que os dezassete acordaram no aumento da capacidade do fundo de ajuda permanente a partir de 2013 para valores perto dos 500MM€. Pode ser o começo de uma nova era para a União Europeia, marcando o renascimento da solidariedade entre os seus Estados-Membros, encetando uma nova fase na governação económica comum. Tecnicamente, o acordo foi alcançado. Convirá que, politicamente, não seja desfeito na próxima Cimeira Europeia. A União só terá futuro se a política voltar a prevalecer sobre a economia.

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publicado por Joao Pedro Dias às 04:35

Ser diferente

Segunda-feira, 22.11.10

Continua a ser notícia o recurso da República da Irlanda à ajuda financeira externa do fundo europeu de emergência para a estabilização do euro, do Fundo Monetário Internacional e, mesmo, de Estados que não integram a zona euro mas que se encontram de sobremaneira expostos à dívida irlandesa, como é o caso do Reino Unido e da Suécia. E a par dessa notícia sempre o esclarecimento de que a situação portuguesa é diferente da situação irlandesa, não havendo semelhanças que justifiquem os receios de um qualquer efeito de contágio. Não se percebeu, ainda, é qual a razão-de-ser de tanta insistência na afirmação da nossa diferença face à da República da Irlanda. Se a diferença fosse tão grande como alguns querem fazer crer, talvez se dispensasse tanta reiteração dessa mesma diferença…. Que os problemas da República da Irlanda são diferentes dos nossos, nós já sabemos; que não temos problemas na banca como os irlandeses, também já sabemos. O que não está dito ou escrito em lado algum é que os nossos problemas sejam menores que os da República da Irlanda. Ser diferente não significa ser menos grave. Porque com uma economia muito mais frágil, uma dívida externa (pública e privada) muito superior e um crescimento muito mais débil, não temos a mesma capacidade dos irlandeses para sermos competitivos e gerarmos emprego. Será que isto é assim tão difícil de entender?

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publicado por Joao Pedro Dias às 15:05

A próxima vítima

Domingo, 21.11.10

Confirmando o que já se sabia e havia sido tantas vezes negado, a República da Irlanda viu-se na necessidade de recorrer ao auxílio financeiro de emergência externo, a cargo do fundo de emergência europeu  e do FMI num valor ainda a determinar mas que já se sabe que andará pelos 80 a 90 MM€. Sabe-se, também, que dentro dos critérios acordados, e tomando como referência a participação de cada Estado no capital do BCE, Portugal contribuirá para esse fundo com cerca de 2MM€. Os Ministros do ECOFIN, via teleconferência, acabam de dar «luz verde» ao auxílio, na expectativa, uma vez mais, de assim travarem os ataques contra uma economia da zona euro, demonstrando à especulação financeira internacional que, em momentos de crise, a Europa da União não pode ignorar o sentido da palavra solidariedade. Convirá recordar que, em Maio passado, aquando da crise grega, o argumento utilizado foi exactamente o mesmo. Os resultados, esses, foram o que se estão a ver…. Teoricamente, uma tal injecção de capital, ao longo de três anos, será suficiente para acalmar os mercados internacionais. Ademais, a República da Irlanda não tem as necessidades de financiamento externo que, Portugal, por exemplo, enfrenta e que, só para o próximo ano, se aproximam dos 44MM€. O problema é que esses mesmos mercados financeiros não conhecem nem se guiam pelas regras da racionalidade – mas apenas e só pelas regras do lucro. E nada nos garante que, depois da República da Irlanda, não se virem para as outras economias mais frágeis e débeis da zona euro. É, assim, manifestamente precipitada a convicção do Ministro Teixeira dos Santos, de que com este apoio de emergência, Portugal ficará respaldado ou a salvo, numa posição mais confortável. A visão mais pessimista da realidade diz-nos, até, justamente o contrário! Salva a República da Irlanda, o apetite voraz da especulação pode dirigir-se para a próxima vítima. Será sempre assim até ao momento em que perceberem ou intuírem que a solidariedade europeia falará sempre mais alto e acorrerá sempre em defesa dos seus – qualquer que eles sejam. E nos dias que correm, infelizmente, essa garantia não poderá ser dada por adquirida.

 

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publicado por Joao Pedro Dias às 16:22

O problema irlandês

Terça-feira, 16.11.10

[Bruxelas] É o ECOFIN de hoje e de amanhã que domina o ambiente, as informações e também as notícias nos corredores da eurocracia. E dentro do ECOFIN, uma tantas vezes noticiada quanto negada pressão alemã para que a República da Irlanda recorra ao auxílio do Fundo europeu de emergência para a estabilização do euro criado em Maio deste ano para socorrer a Grécia e dotado de 750MM€. Decerto – neste clima, a questão irlandesa corresponde a uma preocupação maior tida essencialmente pela Alemanha; a preocupação de que, por força dos mercados internacionais, a República da Irlanda se veja na contingência de ter de recorrer a esse mesmo Fundo e, sequencialmente e por efeito de contágio ou dominó, se lhe siga Portugal e, sobretudo, a Espanha. Mal por mal, será preferível a República da Irlanda recorrer ao Fundo de forma voluntária, em vez de o fazer sob pressão dos mercados. Com a expectativa que isso trave os movimentos especulativos em curso nos mesmos mercados que, atacando o euro, prejudica todos os Estados que partilham a moeda única europeia. Porque se, eventualmente, ainda houver 70 ou 80 MM€ para socorrer a República da Irlanda e, mesmo e se necessário, Portugal – seguramente não haverá 250 ou 300 MM€ para acudir à Espanha. E nessa eventualidade a alternativa será clara – ou fracassará o euro ou a dotação do Fundo de emergência terá de ser reforçada. Percebe-se que esse seja o último cenário que a Sra Merkel quer considerar – pedir mais sacrifícios aos seus concidadãos para auxiliar ainda mais Estados da Europa da União. As alternativas não abundam e os cenários não se apresentam risonhos.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:48

Alemanha fecha a torneira

Quarta-feira, 29.09.10

Angela Merkel declarou que a Alemanha rejeitará alargar além de 2013 o fundo europeu de emergência, destinado a apoiar os Estados-Membros da UE que se encontrem mais endividados – o que, em termos objectivos, poderá vir a pôr em causa a manutenção do referido fundo. Continuando a ser um dos principais contribuintes líquidos da UE, Berlim entende não dever continuar a suportar o despesismo de Estados que violam as regras do pacto de estabilidade e crescimento a que se obrigaram aquando da criação da união económica e monetária. E o anúncio surge na altura em que os Ministros das Finanças acordaram em aplicar sanções económicas mais fortes aos Estados incumpridores. Do estrito ponto de vista alemão, a uma luz estritamente nacional, a medida anunciada percebe-se e justifica-se; do ponto de vista europeu é uma vez mais a prevalência do interesse nacional sobre o interesse europeu, é mais uma quebra na solidariedade europeia e nos valores que lhe estão subjacentes. Algo, de resto, em que o governo da senhora Merkel é reincidente, fazendo-nos recordar com acrescida saudade os tempos do chanceler Helmut Kohl – a quem o projecto europeu um dia haverá de prestar a justa homenagem a que tem direito, apesar do Conselho Europeu lhe haver já atribuído o título de “Cidadão Honorário da Europa”.

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:43






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