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A Europa, condomínio sino-americano

Sexta-feira, 24.09.10

A França preveniu os seus parceiros da UE que, ao ritmo actual dos cortes nos orçamentos militares, a Europa vai tornar-se num “protectorado”, arriscando-se a ser “um condomínio sino-americano”. Reconhecendo o óbvio, depois de uma reunião com os seus colegas da UE, em Gand (Bélgica), Hervé Morin, Ministro da Defesa de Paris, constatou que “os países europeus demitiram-se, na maioria, de uma ambição simples: dispor de um aparelho militar que lhes permita ter peso nas questões mundiais”, adiantando que enquanto “todos os países do mundo estão a aumentar o seu armamento”, os membros da UE estão empenhados em reduzi-lo – o que também desagrada ao aliado norte-americano e à própria NATO, que recomenda aos seus membros que gastem 2% do seu orçamento na defesa (os EUA gastam perto de 4%). Como também conta o “New York Times”, as reduções orçamentais na defesa britânica, que nos próximos seis anos podem ir dos 10% aos 20%, são motivo de preocupação em Washington, que tem no Reino Unido o seu mais necessário aliado. E as preocupações do Pentágono agravam-se quando se sabe que também a Alemanha pretende reduzir um terço das suas Forças Armadas. Em situações de crise os governos europeus consideram que a defesa é uma opção de corte socialmente menos explosiva do que outras áreas. Não se pode perder de vista é que com estes cortes dos países europeus na Defesa – os mais profundos desde o fim da guerra-fria – é a própria capacidade europeia de desempenhar um papel de relevo na defesa do Ocidente que está em causa.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:39