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Mário Soares elogia Rajoy por recusar cumprir metas do défice

Segunda-feira, 05.03.12

"O ex-Presidente da República Mário Soares elogiou hoje a recusa do Primeiro-Ministro de Espanha, Mariano Rajoy, em cumprir as metas do défice este ano e sustentou que os países europeus, incluindo Portugal, pagaram a reunificação alemã. Mário Soares falava numa conferência promovida pelo deputado do CDS Ribeiro e Castro, com o tema "A Europa numa encruzilhada", numa sessão dedicada à memória do antigo Presidente do CDS e eurodeputado democrata-cristão Francisco Lucas Pires. "[Mariano] Rajoy fez aquilo que devia", concluiu Mário Soares, numa alusão às afirmações do Primeiro-Ministro de Espanha de que este ano, em conjuntura de crise, o seu país não cumprirá a meta de redução do défice para 4,5%. "Mariano Rajoy pensou e bem que, se fizer isso [reduzir o défice com políticas de austeridade], acontece uma desgraça. Não sei o que o nosso Governo [português] vai fazer, mas ficamos à espera", disse, num recado ao executivo de Pedro Passos Coelho.

Membros da troika não são aliados 

Na sua intervenção, o ex-Presidente da República considerou que os membros da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) não podem ser encarados como aliados. "A troika é usurária e está aqui para cobrar juros altíssimos", disse. Além do ataque à estratégia de austeridade da troika,Mário Soares fez duas críticas à chanceler germânica Angela Merkel e defendeu que a Alemanha está agora a ser mal agradecida em relação ao conjunto dos países europeus.

Portugal também ajudou a "pagar" reunificação alemã

Segundo Soares, países como a Grécia, após a II Guerra Mundial, perdoaram à Alemanha as indemnizações, ajudando à sua reconstrução. Depois, na sequência da queda do muro de Berlim, em 1989, os países europeus, incluindo Portugal, "pagaram" a reunificação alemã. "Quem pagou a unidade alemã fomos todos nós e agora a Alemanha começa a discutir connosco se somos preguiçosos e atreve-se a dizer que um país como a Grécia, que inventou a filosofia e a democracia, é de preguiçosos e que eles é que são alguma coisa?

Solidariedade e igualdade perderam-se

Eles [da Alemanha], que são um país do século XIX, mandam-nos uns senhores da troika a impor austeridade e mais austeridade", observou o ex-chefe de Estado em tom indignado. Soares mostrou-se depois "perplexo" por o resto dos dirigentes europeus não serem capazes de "dizer não" à chefe de Governo da Alemanha. "Isto é uma coisa inédita, porque perdeu-se a solidariedade e a igualdade entre os países e perderam-se todos os critérios que estavam a fazer avançar a Europa. A culpa é fundamentalmente da senhora Merkel, mas também do senhor Sarkozy [presidente da França]", sustentou Mário Soares. [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:55

Manifesto «Somos solidários com o povo da Grécia»

Quinta-feira, 16.02.12

«Todos os dias nos chegam imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto. É clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido. Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente.

 

Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social.


A preocupação doméstica em sublinhar que “não somos a Grécia” é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia.


Face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas.»


Subscritores:

 

Mário Soares

 

Mário Ruivo | Alfredo Caldeira | Ana Gomes | Ana Lúcia Amaral | Anselmo Borges | António de Almeida Santos | António Reis | Boaventura Sousa Santos | Diana Andringa | Eduardo Lourenço | Isabel Allegro | Isabel Moreira | D. Januário Torgal Ferreira | José Barata Moura | José Castro Caldas | José Manuel Pureza | José Manuel Tengarrinha | José Mattoso | José Medeiros Ferreira | José Reis | José Soeiro | Manuel Carvalho da Silva | Maria de Jesus Barroso Soares | Maria Eduarda Gonçalves | Paula Gil | Pedro Delgado Alves | Rui Tavares | Sandra Monteiro | Simonetta Luz Afonso | Vasco Lourenço | Vítor Ramalho


[A publicação deste Manifesto é feita a título meramente informativo, não significando qualquer adesão ao seu conteúdo]

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publicado por Joao Pedro Dias às 00:54

Uma política externa e de segurança comum para a UE?

Terça-feira, 10.08.10

A Holanda anunciou que abandonará o Afeganistão até final do ano. Mário Soares, num artigo intitulado «O Ocidente entre a paz e as guerras», veio sugerir que Portugal deveria fazer o mesmo. Este é o actual drama do Ocidente. Fruto da doutrina dos directos televisivos, o Ocidente recua, cede nos seus valores fundamentais, deixa terreno livre ao avanço dos que atacam e destroem os nossos valores, sem olharem a meios para atingirem os fins. Ou, o que tem a mesma gravidade, deixando para os EUA a tarefa de defender esses mesmos valores, como se o dever lhe competisse em exclusivo. Era a isto que Obama se referia ao reclamar maior solidariedade e empenho dos europeus em matéria de defesa e segurança. Não é com esta política furtiva que a UE cumpre a sua missão no Mundo ou pode ambicionar a ter uma política exterior credível e respeitável. E não é coerente nem consequente pretender construi-la sem arcar com o seu passivo. Não é este o melhor rumo para a construção de tal política europeia.

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publicado por Joao Pedro Dias às 02:46

As preocupações de Mário Soares

Sábado, 12.06.10

Em entrevista à TSF Mário Soares diz-se preocupado com a actual situação da União Europeia. Tem razões para isso. Temos razões para isso. Ainda que ambas - as razões dele e as nossas razões - não tenham necessariamente de ser as mesmas. Mas se recordarmos que a construção europeia foi uma síntese de razões democratas-cristãs e de razões socialistas, talvez possamos concluir que ambas as razões não andarão muito distantes ou, pelo menos, que não são insusceptíveis de serem sintetizadas. E, de todo o modo, quaisquer que elas sejam, as razões dele e as nossas razões, serão sempre preferíveis à razão daqueles que não demonstram quaisquer razões.

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publicado por Joao Pedro Dias às 12:26