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Kosovo, cinco anos depois da independência

Sexta-feira, 17.02.12

"Cinco anos após a proclamação unilateral da independência, o Kosovo continua a ser uma região dividida e que divide o mundo. A Rússia e a Espanha não reconhecem a autoridade política de Pristina, enquanto os Estados Unidos e muitos países da União Europeia, incluindo Portugal, se encontram no outro lado da barricada e apoiam a autodeterminação deste território nos balcãs. A Kfor, força de manutenção da paz da NATO, que Portugal integra actualmente com 142 elementos, mantém-se no terreno com o objectivo de conseguir um frágil equilíbrio e arrefecer o clima de tensão alimentado por ódios antigos entre os sérvios (representam oito por cento da população) e a maioria albanesa. O Kosovo é uma peça chave nas ambições da Sérvia no que respeita à adesão à União Europeia, o que tem contribuído para alguma abertura de Belgrado, embora os grupos nacionalistas sérvios boicotem muitas vezes os esforços de pacificação numa zona onde facilmente se alimentam as tensões étnicas." [Fonte]

 

Conforme abordámos detalhadamente na altura, ao longo destas páginas, cinco anos depois o Kosovo independente continua a ser um verdadeiro espinho cravado no coração da Europa central, numa das suas regiões historicamente mais instáveis, fonte de grande parte dos conflitos que afectaram a Europa: os Balcãs. Permanece um Estado que se mantém artificialmente independente, expurgando a Sérvia do seu coração histórico, um Estado militarmente defendido pelos EUA - que envolvidos nas guerras do Afeganistão e do Iraque tiveram necessidade de provar nada ter contra Estados muçulmanos, ainda que localizados no lugar errado e criados por más razões - e um Estado economicamente sustentado pela União Europeia. O protótipo de um Estado inviável e exíguo, incapaz de cumprir as tarefas mínimas essenciais de qualquer Estado, teimosamente mantido pela comunidade internacional e não necessariamente pelas melhores razões.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:30

Vice-primeiro-ministro da Sérvia apresenta demissão após adiamento da candidatura à União Europeia

Sexta-feira, 09.12.11

"O vice-primeiro-ministro sérvio, Bozidar Djelic, responsável pelas negociações com a União Europeia (UE), apresentou  hoje a demissão depois do bloco europeu ter adiado a decisão sobre a candidatura  de Belgrado para Fevereiro de 2012.  "Tinha dito que se não conseguíssemos o estatuto de candidato, apresentaria a minha demissão, vou manter a minha palavra", afirmou Bozidar Djelic, numa conferência de imprensa em Bruxelas, após o final da cimeira europeia, que decorreu hoje e quinta-feira.  Belgrado esperava obter luz verde para a sua candidatura à UE nesta cimeira europeia. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, declarou hoje que a UE deverá decidir em Fevereiro de 2012 sobre a candidatura da Sérvia, com "o objectivo claro de conceder o estatuto de candidato".  "Vamos continuar a avaliar a situação e os compromissos da Sérvia", referiu Rompuy, que falava à comunicação social. A decisão deverá ser tomada em Fevereiro, para a confirmação "do Conselho Europeu no início de Março", acrescentou Rompuy. Bozidar Djelic classificou a situação como "lamentável", mas assegurou que a Sérvia "não vai mudar de política" e vai continuar com o diálogo com as autoridades de Pristina (Kosovo), uma condição exigida pela UE para atribuir a Belgrado o estatuto de candidato. "Vamos respeitar todos os nossos compromissos e vamos fazer tudo o for possível para obter o estatuto", garantiu Djelic. O Presidente sérvio, Boris Tadic, afirmou hoje que Belgrado "não pode e não deve renunciar ao seu futuro europeu", indicando ainda que qualquer outra decisão "teria consequências a longo prazo na vida dos cidadãos sérvios". Um outro membro da ex-Jugoslávia, a Croácia, assinou hoje o Tratado de Adesão, passando a membro de pleno direito em Julho de 2013." [Fonte]

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publicado por Joao Pedro Dias às 19:30

A UE entre Belgrado e Pristina

Sexta-feira, 10.09.10

A AG da ONU aprovou ontem uma resolução sem precedentes – negociada entre a UE, a Sérvia e o Kosovo – onde se apela a que estes dois Estados iniciem um diálogo, mediado pela UE, sobre o diferendo que mantêm a propósito da independência do Kosovo, incidindo o mesmo sobre questões que podem melhorar as condições de vida das populações sérvia e kosovar, a começar pelo regresso dos refugiados e as telecomunicações em ambos os territórios, volvendo-se, assim, num factor de paz, de segurança e de estabilidade na região. Dificilmente Pristina e Belgrado – cujo MNE, Vuk Jeremic, em declaração preliminar fez questão de sublinhar que o seu país “não reconhece nem reconhecerá” a independência do Kosovo, deixando bem claro as dificuldades existentes neste processo – poderiam ter ido mais além do que foram. Mas a UE, patrocinando o diálogo, esteve ao nível do que se lhe exige, na perspectiva de desempenhar um papel activo neste mundo global – ainda que essa intervenção mais não faça do que reconhecer o quão impreparado estava o Kosovo para aceder a uma independência arquitectada em Washington para retalhar esta parte dos Balcãs e que agora está a ser amplamente paga por fundos e verbas da Europa da União. E daí, também, o interesse da UE em agir e intervir.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:22