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Europa deve reestruturar dívidas de países que não são solventes, defende Teixeira dos Santos

Terça-feira, 25.10.11

"A Europa deve identificar os países que não sejam solventes e reestruturar as suas dívidas, mantendo todos os países no euro, defende Teixeira dos Santos, que quer o envolvimento do BCE na solução para a crise. O ex-ministro das Finanças de José Sócrates, que falava durante uma conferência na Universidade Lusófona em Lisboa, defendeu que sejam identificados os países que não sejam solventes, que se aplique uma "reestruturação das dívidas dos países que não venham a ser considerados solventes", mas num quadro em que seja possível "delimitar bem o âmbito desta intervenção e de ter recursos indispensáveis para sobreviver aos impactos", especialmente no sistema financeiro. O antigo governante afirmou também que é necessário alterar o actual Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) - e o seu sucessor permanente, o Mecanismo de Estabilização Europeia (MEE) - tem de ser alterado para que seja "mais expedito e menos contingente nas conjuntura políticas nacionais", relembrando o caso da Finlândia quando Portugal pediu ajuda financeira. Ainda sobre a solução que pode estar a ser desenhada, no que diz respeito ao FEEF, Teixeira dos Santos alerta para uma possível falta de capacidade financeira dos países ou de vontade política dos Governos para dar a capacidade financeira necessária ao fundo de resgate, defendendo aqui que o Banco Central Europeu passe a focar-se mais na estabilidade do sistema financeiro. "Vai chegar a altura de pedir ao Banco Central Europeu que a sua principal função seja não a estabilidade dos preços, mas a estabilidade do sistema financeiro", disse. "A Zona Euro precisa de uma solução, não precisa de meia solução. O pior que podemos fazer nesta altura é sairmos com meias soluções", acrescentou." [Fonte

 

 

Até pode ser verdade que a Europa deva reestruturar as dívidas dos países que não sejam solventes, como defendeu Teixeira dos Santos. A ser assim, porém, o que também não deixa de ser verdade é que a partir de agora a dívida de qualquer Estado europeu deixa de ser encarado como um título seguro, passando a haver muito mais dificuldade em encontrar quem queira comprar títulos de dívida que a qualquer momento podem ser reduzidos.

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publicado por Joao Pedro Dias às 21:34

Delírios

Sexta-feira, 08.04.11

Fernando Teixeira dos Santos, Ministro de Estado e das Finanças do governo português lidrado por José Sócrates, PhD em Economia pela Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos, economista de formação e docente universitário antes de assumir funções governativas, arrisca-se a ficar na história do consttucionalismo português e europeu ao declarar hoje, em Budapeste, que as instâncias comunitárias responsáveis pela negociação do empréstimo a Portugal por parte do FEEF deverão negociar os consensos necessários com os Partidos portugueses da oposição, uma vez que o governo não está disposto a conversar, negociar e consensualizar o que quer que seja com essa mesma oposição! Teixeira dos Santos, o inefável Ministro, acaba de fazer doutrina sobre funções de governos em gestão e competências constitucionais dos mesmos e, no plano europeu, acaba de preconizar que os representantes da UE, da Comissão Europeia, do FMI e demais entidades europeias, quais homens da mala, deverão calcorrear as ruas de Lisboa, de porta-em-porta, em busca dos necessários consensos políticos que o governo que Sua Excelência integra se recusa em procurar e obter. Como se afigurava medianamente óbvio e evidente, o Comissário Oli Renh apressou-se em vir esclarecer que as instituições europeias não têm nada que negociar com a oposição partidária indígena. A União relaciona-se institucionalmente com Estados e a Comissão não pretende esquecer essa regra. Foram estas reflexões que, de forma sintética, deixei nas palavras que foram pedidas pela TSF e que podem ser escutadas aqui.

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publicado por Joao Pedro Dias às 23:27

A credibilidade do Senhor Ministro

Segunda-feira, 15.11.10

[Bruxelas] Não há perplexidade que resista às declarações de Teixeira dos Santos ao Financial Times. Segundo o Ministro das Finanças, em vésperas de reunião importante do ECOFIN, admite que o risco de Portugal recorrer à ajuda internacional é "elevado" devido aos crescentes riscos de contágio através dos mercados financeiros que temem o alastramento da crise dívida pública europeia. E acrescenta que este problema não é exclusivo de Portugal – afecta também a Irlanda e a Grécia – e tem implicações na Zona Euro e na sua estabilidade. Não deixa de ser estranho que Teixeira dos Santos tenha escolhido um jornal britânico para dizer o contrário de tudo quanto tem dito internamente. Mais do que isso – que tenha trazido à colação a situação na República da Irlanda, equiparando-a à portuguesa e à grega, quando é consensualmente sabido que as dificuldades irlandesas radicam fundamentalmente no sector financeiro, no défice orçamental tremendo provocado pelo auxílio governamental a alguns bancos irlandeses, e não na dívida pública do Estado, na sua competitividade externa ou na capacidade de crescimento da sua economia, que são justamente os sectores que, a par do tremendo défice orçamental, mais complicam a situação de Portugal. Há palavras que são de prata – mas o silêncio continua a ser de ouro. Teixeira dos Santos perdeu uma oportunidade de excelência para estar calado. É que, mesmo que sejam verdadeiras as suas declarações e correspondam à realidade do país, há notícias que devem ser dadas em primeira mão aos seus destinatários e não no estrangeiro, por muito prestigiado que seja o órgão de comunicação a quem se prestam declarações. Mas, como aqui há bem poucos minutos alguém recordou, este é o Ministro do défice orçamental de 2009 de 5,4% nas vésperas das eleições que acabou por se transformar em 9,4% no fim do ano, e o mesmo Ministro que já em 2010 e em plena crise deixou a despesa pública derrapar em 4MM€, isto é, como este também é o Ministro que se encarregou de malbaratar a credibilidade que lhe era apontada, há sempre a possibilidade de levar as suas declarações à conta dessa mesma falta de credibilidade. Talvez seja a forma menos traumatizante de encarar as afirmações do Senhor Ministro.

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publicado por Joao Pedro Dias às 02:10