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A UE entre Belgrado e Pristina

Sexta-feira, 10.09.10

A AG da ONU aprovou ontem uma resolução sem precedentes – negociada entre a UE, a Sérvia e o Kosovo – onde se apela a que estes dois Estados iniciem um diálogo, mediado pela UE, sobre o diferendo que mantêm a propósito da independência do Kosovo, incidindo o mesmo sobre questões que podem melhorar as condições de vida das populações sérvia e kosovar, a começar pelo regresso dos refugiados e as telecomunicações em ambos os territórios, volvendo-se, assim, num factor de paz, de segurança e de estabilidade na região. Dificilmente Pristina e Belgrado – cujo MNE, Vuk Jeremic, em declaração preliminar fez questão de sublinhar que o seu país “não reconhece nem reconhecerá” a independência do Kosovo, deixando bem claro as dificuldades existentes neste processo – poderiam ter ido mais além do que foram. Mas a UE, patrocinando o diálogo, esteve ao nível do que se lhe exige, na perspectiva de desempenhar um papel activo neste mundo global – ainda que essa intervenção mais não faça do que reconhecer o quão impreparado estava o Kosovo para aceder a uma independência arquitectada em Washington para retalhar esta parte dos Balcãs e que agora está a ser amplamente paga por fundos e verbas da Europa da União. E daí, também, o interesse da UE em agir e intervir.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:22

Entre a China e o Médio Oriente

Quinta-feira, 02.09.10

No dia em que vai ter início, em Washington, nova ronda negocial sobre o conflito do Médio Oriente, sob o alto patrocínio de Barack Obama – que aposta tudo no sucesso das conversações para obnubilar um pouco a forma como acaba de pôr fim ao conflito no Iraque – constatar-se-á que uma cadeira à mesa das negociações vai estar vazia – a cadeira que deveria ser ocupada, à semelhança do que aconteceu noutras rondas negociais, pela União Europeia. Com a agravante de que, desta vez e depois da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, a UE até já conta, na sua estrutura institucional, com uma Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, que é simultaneamente Vice-Presidente da Comissão Europeia. Acontece que Lady Ashton se encontra de visita à China, pese embora não se descortinem que interesses mais importantes a UE possa ter na China do que em relação ao conflito que grassa nas suas fronteiras. Andou bem, pois, o eurodeputado Mário David, presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com os países do Maxereque, ao condenar em Bruxelas a ausência da UE das conversações de Washington. É que a União Europeia não pode aspirar a desempenhar um lugar de relevo e projecção no mundo cada vez mais globalizado em que vivemos se continuar a pautar a sua intervenção e a sua actuação pelo silêncio ou pela ausência.

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publicado por Joao Pedro Dias às 01:34